Futuro da água é discutido em seminário no Recife

Algumas das causas da crise hídrica se devem pela contaminação das indústrias e das mudanças climáticas. Isso ocasiona na condição inapropriada para uso da água

Abastecimento de água Abastecimento de água  - Foto: Agência Brasil

O futuro sobre os recursos hídricos foi debatido nessa quinta-feira (19) no IV Seminário Internacional de Energia Elétrica e Recursos Hídricos da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). Entre os assuntos debatidos, a atual crise hídrica, o uso da governança no setor, a cobrança pelo uso da água, reutilização de água das estações de tratamento de esgoto e a dessalinização como solução para diversificar a matriz hídrica e o desenvolvimento econômico.

Para o gerente de desenvolvimento empresarial da Fiepe, Maurício Laranjeira, é preciso uma atenção maior com esse assunto, tanto das pessoas como das autoridades. “A gente precisa de políticas mais claras para que os investidores venham para o Brasil e façam investimentos necessários na parte hídrica de modo que nós tenhamos um custo menor para esses insumos junto à nossa indústria”, afirmou.

Algumas das causas da crise hídrica se devem pela contaminação das indústrias e das mudanças climáticas, ocasionando na redução da água ou deixando a sua condição inapropriada para o uso. A Espanha, por exemplo, é um dos países que realiza estudos sobre o impacto climático em seus recursos hídricos, e realiza um planejamento específico para poder se comportar com fatos dessa natureza.

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Segundo o Conselheiro de agricultura e pesca, alimentação e meio ambiente da Embaixada da Espanha, Luis Benito, a problemática hídrica é muito complexa e extensa, além de abranger tantos problemas gerados com a falta de energia – quando os recursos hídricos não são suficientes para gerar o insumo – quanto o problema mesmo da água para agricultura, pecuária, entre outras áreas.

Aqui no Brasil temos muitas situações diferentes, uma massa de água importante, mas difícil de ser transportada por estar concentrada em uma região, isso complica as coisas. Uma infraestrutura melhor facilitaria, mas isso exige de uma planificação, pensar no futuro para que tudo saia muito bem planejado, para que as coisas que exigem mais saiam bem”, contou. “A Espanha tem um conjunto de empresas que tem desenvolvido sistemas de gestões nesse ramo, fazer um estudo de água é importante. Bons métodos são necessários para que a prática seja boa, essa troca de experiências é muito importante”, finalizou.

Já o pesquisador do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água, Bruno Fukasawa, defende que é preciso também valorizar recursos como o reuso da água oriunda das estações de tratamento de esgoto. O pesquisador desenvolveu um estudo mostrando que a partir do reuso é encontrada uma solução para a crise, além de uma ferramenta de planejamento urbano.

“O estudo fala sobre a possibilidade do reuso das indústrias a partir da estação de tratamento de esgotos municipais, para buscar uma segurança hídrica e outras fontes de água. A ideia é que o estado ou alguma iniciativa privada promovam um tratamento mais avançado da água e façam essa distribuição para que a água retorne, sendo uma das soluções para minimizar o problema”, contou.

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