Gasolina fica mais cara na Região Metropolitana do Recife

Donos de postos ouvidos pela Folha atribuem aumento ao fim do desconto oferecido pelas distribuidoras

Reunião entre o secretário, o deputado, vereadores e ereadores do município e representantes do comitê gestorReunião entre o secretário, o deputado, vereadores e ereadores do município e representantes do comitê gestor - Foto: Divulgação

 

A redução de preço da gasolina, anunciada há dez dias pela Petrobras, ainda não é percebida pelo consumidor nos postos do Recife. Ao contrário, o combustível está mais caro. De acordo com levantamento feito pela Folha de Pernambuco, os valores cobrados nas bombas estão variando entre R$ 3,75 e R$ 3,79. As margens de cobrança estão bem acima da média informada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na última sexta-feira (21), de R$ 3,53.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), representante dos donos de postos, alega que a redução de 3,2% na gasolina foi compensada pelo aumento de 18,52% no preço do etanol anidro, que compõe 27% da gasolina vendida no Brasil. A alegação é contestada pelo presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Para ele, trata-se de uma medida que mascara a realidade.

“O Sindaçúcar estranha esse argumento. Primeiro, atribuir o aumento ao etanol é tapar o Sol com a peneira. Segundo, o etanol sempre foi um redutor do preço. Terceiro, é preciso diminuir mais as margens da distribuição para que haja uma nova acomodação desses preços”, rebateu. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) afirma que “o preço do anidro está estabilizado neste momento, sem registro de alteração depois do anúncio da Petrobras, no dia 14 de outubro”.

Durante a pesquisa realizada pela reportagem nos postos da Região Metropolitana do Recife, alguns gerentes de estabelecimentos, que pediram para preservar a identidade, afirmaram que o preço voltou a subir no Recife devido ao fato de as distribuidoras voltarem a aumentar. Um dos diretores da Rede Petrocal, Marcelo Veloso, foi além. Ele se queixou que as revendas, em geral, estão fragilizadas e agora não têm mais margem para redução. “Nós trabalhamos nos últimos meses com descontos das distribuidoras, mas mesmo assim enfrentamos uma queda na demanda e para movimentar as vendas, nós reduzíamos nossa margem. Tem posto da nossa rede que chegou a vender gasolina a R$ 3,10 mesmo comprando a R$ 3,08. Esse lucro de dois centavos não serve para bancar a operação”, disse. “A classe está fragilizada, se vai demorar, eu não sei. Se as vendas baixarem mais, muita gente não vai aguentar”, acrescentou.

Presidente da Petrobras, Pedro Parente se disse decepcionado com o fato de a redução não ter chegado ao consumidor. Segundo o executivo, características de mercado do segmento foram determinantes para que a redução dos preços nas refinarias da empresa estatal não chegasse aos postos de combustível. “De certa forma, é decepcionante. Era uma expectativa justa que tivesse acontecido [a redução], mas não há nada que possamos fazer a respeito. Os preços são livres”, afirmou Parente, em entrevista na feira Rio Oil&Gas.

 

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