Geração “nem nem” avança no Brasil

Entre 2014 e 2015, o percentual de jovens que não estudam e nem trabalham passou de 20% para 22,5%

Cannizzaro diz que corrupção é mal que atinge o mundo inteiroCannizzaro diz que corrupção é mal que atinge o mundo inteiro - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

 

A realidade se impôs desde cedo para Talita Teófilo, 21 anos. Aos 15, ela precisou deixar a 8ª série para cuidar da primeira filha, Yasmim, e quando pensou em voltar para a sala de aula, engravidou pela segunda vez, de Caik.

Sem ter com quem deixar o filho, muito menos trabalhar, a jovem vive da ajuda de parentes para sustentar a casa de dois vãos erguida em palafitas, em Brasília Teimosa. Assim como ela, muitos jovens do País não estudam e não trabalham e fazem parte da famosa geração ‘nem nem’.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou através da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), que, entre 2014 e 2015, o percentual de jovens nessa situação aumentou de 20% para 22,5%. O que representa um em cada quatro jovens de 15 a 29 anos que estão nessa situação. A justificativa é bem variada entre eles, mas, para o professor de economia da Faculdade dos Guararapes, Roberto Ferreira, a verdadeira causa é a cri­­se econômica que o País ainda está enfrentando.

“Se os pais perdem o emprego, tiram os filhos da escola. Consequentemente, eles perdem a chance de se preparar para o mercado de trabalho”, explica o professor Ferreira. “Se nem os pais, que estão há mais tempo em campo, conseguem emprego; quem dirá os filhos?”, indaga. Isso, como ele conclui, explica o número do ano passado ter sido o maior desde 2005 (quando a proporção era de 19,7%).

Elizabeth Revoredo, que é atriz, optou por não fazer faculdade porque acredita que “seus sonhos não cabem em um curso universitário”. No mesmo pé, a jovem de 22 anos também não trabalha porque sua mãe quer que ela siga carreira em uma profissão. “Minha área é muito restrita em Pernambuco e, enquanto for assim, prefiro esperar a ter que fazer algo com o qual não me identifico”, conta. 

Um grande vilão para este aumento foi, também, o aumento na evasão escolar. A relação, segundo o professor Roberto Ferreira, é diretamente proporcional: quanto mais aumenta o número de jovens que saem da escola, mais aumenta o índice de ‘nem nem’.

A faixa etária de 18 a 24 anos tem a maior incidência de jovens nessa situação, registrando 27,4% do número total. O grupo de 25 a 29 anos, por sua vez, representa 24,1%. “A partir daí dá para afirmar que não estudar nem trabalhar é uma característica dos jovens que deveriam ter concluído o ensino médio”, constata o professor Ferreira.

O percentual de homens que não estudavam nem trabalhavam cresceu de 11,1% em 2005 para 15,4% em 2015. Mesmo assim, a proporção de mulheres nessa condição ainda é muito superior (29,8%). Segundo o IBGE, os cuidados com a casa e filhos acabam sendo uma barreira para a entrada de muitas mulheres, como Talita, no mercado de trabalho.

‘Nem nem nem’

Essa denominação engloba aqueles que não estudam, não trabalham e nem querem procurar emprego. Nesse caso, a proporção é ainda maior do que o ‘nem nem’. São 14,4% contra os 8,1% dos jovens entre 15 e 29 anos.

 

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