Governo abrirá capital de aéreas

Programa permite que estrangeiros detenham 100% do controle de empresas aéreas. Previsão é de queda futura nos preços

“Precisamos criar condições para que os empresários invistam no País”, diz Marx Beltrão“Precisamos criar condições para que os empresários invistam no País”, diz Marx Beltrão - Foto: wilson dias/abr

 

A abertura de todo capital das empresas aéreas brasileiras ao investimento internacional pode reduzir o preço das tarifas, segundo o ministro de Turismo, Marx Beltrão.

Entretanto, na visão de alguns especialistas, a queda no custo das passagens não será imediata. Essa estratégia integra o programa Brasil + Turismo, um pacote de medidas anunciado para fortalecer o setor no País, com finalidade de trazer soluções técnicas para gargalos históricos, aumentar o número de turistas nacionais e estrangeiros; e contribuir para melhorar destinos nacionais.

“Precisamos criar condições para que os empresários invistam no País. O Brasil + Turismo vem para corrigir uma miopia histórica e fazer com que o turismo seja visto como protagonista na geração de emprego e renda”, disse Marx Beltrão, frisando que, .com a abertura em 100% para o capital estrangeiro (limite atual é de 20%), o objetivo da pasta passa a ser aumentar a competitividade entre as empresas. Um estudo recente do Ministério mostrou que 73% dos brasileiros são a favor de ter mais empresas aéreas operando no território nacional.

Portanto, a ideia é impulsionar o cenário e saltar de 6,5 milhões de turistas estrangeiros no País por ano (dado de 2016) para 12 milhões em 2022. A estimativa é que a receita com os visitantes passe dos US$ 6 bilhões anuais para US$ 19 bilhões. Outro impacto esperado é a inserção de 40 milhões de brasileiros no mercado consumidor de viagens. Atualmente, menos da metade da população viaja todos os anos (cerca de 60 milhões).
De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear),

Eduardo Sanovicz, “a iniciativa de ampliar a participação de capital estrangeiro em companhia aérea brasileira é positiva, pois abre possibilidades de capitalização e nos coloca mais próximos do mercado internacional. É necessário, antes de formar juízos definitivos, aguardar as discussões pelo Congresso. Entendemos que nesse processo será possível ampliar o debate sobre os demais desafios do setor, como o alto custo do combustível, tributação, o ambiente regulatório e questões trabalhistas”, explicou.
Para o professor titular de Turismo da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Trigo, o anúncio do Ministério apenas formaliza o que já acontece no mercado atualmente.

“Temos quatro companhias atuando. A Latam é chilena, a Azul é administrada por um norte-americano e a Avianca é colombiana, restando a GOL ser a única com nacionalidade totalmente brasileira. Ou seja, a participação do capital externo já existe”, afirmou.

 

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