Governo estuda reverter taxa sobre o etanol dos EUA

Possibilidade foi anunciada pelo ministro Blairo Maggi, mas gerou críticas do setor sucroalcooleiro

EtanolEtanol - Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

A taxação que vem coibindo a importação excessiva do etanol norte-americano pode ser extinta pelo Governo Federal. De acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, esta possibilidade pode ser levada à Câmara de Comércio Exterior (Camex) antes do prazo previsto para a reavaliação da tributação, que foi retomada em agosto do ano passado e teria validade de dois anos. Afinal, pode ser o fator que a União precisa para cobrar a volta da importação da carne brasileira pelos Estados Unidos. A ideia, porém, tem gerado críticas no setor sucroalcooleiro nacional, que se diz ameaçado pelo fim da cobrança.

"Os preços da gasolina no Brasil mudaram muito. Como os preços do etanol são atrelados à gasolina, me parece que não faz muito sentido a proteção que colocamos lá atrás", argumentou Blaggi, frisando que a mudança só será realizada depois que o Ministério da Agricultura analisar todos os dados de produção e importação. "Depende do estudo que vamos fazer. Não tenho nenhuma restrição em fazer, desde que os números mostrem que essa taxação não faz mais sentido nesse momento. E se acharmos que isso pode ser retirado, não terei dificuldade de levar à Camex”, destacou o ministro.

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Maggi lembrou que os Estados Unidos reivindicam o fim da taxação e estão sem importar a carne brasileira desde a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março do ano passado. Por isso, o Brasil poderia aproveitar a situação para negociar uma solução conjunta para os dois casos. "Há muitos interesses comerciais nesse processo, é um mercado extremamente disputado. No início desse ano esperamos reabilizar esses mercados”, reconheceu.

Para o setor sucroalcooleiro, no entanto, a troca não compensa, pois prejudica a economia e a geração de empregos no Nordeste. “O Ministério da Agricultura não pode utilizar, a seu bel-prazer, determinado produto como moeda de troca em barganhas externas, prejudicando empregos nacionais, aumentando desocupações e impondo desequilíbrios socioeconômicos. O País, só no nordeste canavieiro, emprega formalmente mais de 260 mil pessoas na agricultura da cana destinada a etanol”, reclamou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha.

Ele lembrou ainda que o Nordeste foi muito prejudicado pela importação do etanol norte-americano, que bateu recordes no ano passado, derrubando o preço do produto nacional. O problema só começou a se estabilizar em agosto do ano passado, quando a Camex aprovou a volta da taxação do combustível. A ideia era permitir a importação de até 600 milhões de litros à tarifa zero, mas cobrar uma alíquota de 20% em cima das operações realizadas depois de atingida essa cota. A medida valeria até agosto de 2019, mas teria avaliações trimestrais e a próxima pode acontecer no próximo mês.

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