Governo quer mudar transporte em Suape

O modelo de transporte integrado vai seguir a experiência aplicada em Goiana, na Zona da Mata Norte, onde as linhas comuns servem às empresas da região.

Todos os Paulos do MundoTodos os Paulos do Mundo - Foto: Internet / Reprodução

 

O Governo do Estado quer integrar as empresas do Complexo Industrial Portuário de Suape ao sistema de transporte público de passageiros. A intenção é desobrigar as companhias dos gastos com o frete de ônibus particulares para a condução dos trabalhadores ao trabalho. A expectativa é que as soluções sejam implantadas dentro de oito a doze meses.

“É uma forma de trazer competitividade às empresas e também uma economia de tempo aos trabalhadores”, defendeu o secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente de Suape, Thiago Norões, ontem, durante inauguração de expansão da empresa Bemis, no complexo, conforme adiantado pela Folha de Pernambuco, na edição de ontem. 

O modelo de transporte integrado vai seguir a experiência aplicada em Goiana, na Zona da Mata Norte, onde as linhas comuns servem às empresas da região. “O estudo feito no local comprovou uma economia de horas nos deslocamentos dos funcionários”, afirmou Norões, esclarecendo que não haverá custos para o Estado. Atualmente estão sendo levantadas as demandas específicas das empresas, para a criação de linhas focadas nas áreas que não são servidas e em horários compatíveis aos turnos das fábricas.
As novas linhas de ônibus também devem ser integradas à expansão da linha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) até o Porto de Suape, ainda sem data para ser inaugurada e orçada em aproximadamente R$ 300 milhões.

Frete
Diariamente, o transporte das empresas instaladas em Suape mobiliza, pelo menos, 1,5 mil ônibus da frota de 2 mil veículos de dez empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Fretamento de Pernambuco (Sindifrete). “Extinguir o serviço significaria desempregar uma quantidade imensa de pessoas”, considerou o diretor financeiro do Sindifrete, Marcos Teixeira.

O panorama das empresas de frete do Estado não é dos mais positivos. Com a desmobilização das obras da Refinaria Abreu e Lima e a crise econômica, muitas companhias ficaram com a frota ociosa. Somente a empresa My Bus está com 160 ônibus parados desde o ano passado e demitiu 180 motoristas. “Este ano, o faturamento do setor já caiu 40% ante a 2015”, completou Teixeira.

Sobre essas dificuldades, o secretário Norões avaliou que as empresas precisarão se adaptar, “porque a oferta de serviço público de transporte é um dever do Governo”.
Diretor do Sindicato da Construção Pesada do Estado (Sintepav-PE), Rogério Rocha criticou o plano. “Muitas pessoas moram longe, pegam cedo ou saem tarde demais. É preciso ter condução para Suape como alternativa, mas não anula a necessidade de as empresas oferecerem transporte”, argumentou.

 

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