Qui, 11 de Junho

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Internacional

Governo recebe 'com indignação e entende ser muito injusta' proposta de novo tarifaço dos EUA

Encontro foi convocado horas após os Estados Unidos concluírem investigação comercial e proporem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras

Geraldo Alckimin, vice-presidente do paísGeraldo Alckimin, vice-presidente do país - Foto: Nelson Almeida/AFP

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo Lula recebeu com "indignação e entende ser muito injusta" a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. A fala foi feita após uma reunião de emergência para discutir a resposta ao governo dos Estados Unidos.

Ele afirmou que o governo Lula vai trabalhar para que a recomendação não se concretize.

– O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser muito injusta a proposta do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). Na seção 301, a primeira colocação se refere ao Pix, que é um patrimônio nacional, conquista do povo brasileiro, a serviço da sociedade, sem nenhum custo para as empresas – disse.

O vice-presidente disse que o é aberto às questões das big techs e que empresas nacionais e estrangeiras têm o mesmo tratamento no Brasil. A

firmou também que o acordo do Mercosul com Índia e México não restringe a compra de produtos americanos e disse que o Brasil nesses últimos 20 anos aprovou 30 dispositivos de combate à corrupção. São pontos criticados pelos EUA.

Outros ponto de criticas são as patentes e o acesso do mercado brasileiro ao etanol americano.

– No Brasil. 30% das patentes aqui são americanas, o maior beneficiado de todo trabalho de reconhecimento de patentes são as empresas americanas. Em relação ao etanol, temos uma tarifa muito próxima à dos Estados Unidos. No caso do açúcar, só temos uma cota de 50 mil toneladas, o que passar disso, você tem US$ 340 dólares a mais. Então, há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país.

Participaram do encontro desta terça-feira o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), além de representantes do Itamaraty. O chanceler Mauro Vieira não participa porque está em viagem ao exterior.

A reunião ocorreu horas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para uma série de itens.

O relatório divulgado pelo governo americano afirma que determinadas políticas e práticas do Brasil seriam "irrazoáveis" e prejudicariam empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro consideraram a proposta sem fundamento técnico consistente e classificaram como "absurda" a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos americanos.

Ao mesmo tempo, auxiliares do presidente Lula avaliam que o resultado poderia ter sido mais severo, já que a tarifa sugerida ficou em 25% e o documento prevê uma ampla lista de exceções, além de mencionar a possibilidade de um acordo entre os dois países.

A expectativa é que o encontro desta terça-feira sirva para alinhar a estratégia do governo diante da nova escalada comercial. Entre as alternativas em análise estão a manutenção das negociações com Washington, por meio do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Donald Trump em maio, e eventuais medidas de resposta com base nos instrumentos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.

O parecer do USTR abre agora uma etapa de consulta pública antes de uma decisão final sobre a adoção das sanções comerciais. O prazo legal para conclusão do processo termina em 15 de julho. Confira o calendário:

Veja abaixo os próximos passos:

Até 22 de junho de 2026: Prazo máximo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, acompanhadas de um resumo do depoimento.

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