Governo resgata papel do estado na retomada e põe em xeque agenda liberal de Guedes

O anúncio foi feito pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, que comandará o programa a pedido de Bolsonaro

Ministro da Economia, Paulo GuedesMinistro da Economia, Paulo Guedes - Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O governo de Jair Bolsonaro anunciou, nesta quarta-feira (22), o programa Pró-Brasil, um conjunto de medidas que têm como pivô a retomada do investimento público para a geração de emprego.

O plano foi rejeitado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que imprimiu ao governo até o momento uma agenda liberal, centrada em ações de mercado e com mais investimento privado na economia.

O anúncio foi feito pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, que comandará o programa a pedido de Bolsonaro. Nenhum integrante da equipe econômica participou do evento que, dentre os ministérios envolvidos, só contou com o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).

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Também devem apresentar propostas os ministérios de Minas e Energia e o de Desenvolvimento Regional.

De acordo com Tarcísio, a ideia inicial é investir cerca de R$ 30 bilhões do próprio Orçamento do ministério com cerca de 70 obras paralisadas ou em estágio inicial ao longo de três anos.

O ministro disse que o programa de concessões e privatizações seguirá adiante mas, neste caso, o resultado em relação à geração de emprego demora mais. Com as obras públicas, o efeito seria praticamente imediato e poderia garantir, no período considerado, algo entre 500 mil e 1 milhão de contratações.

Durante as discussões ao longo das duas últimas semanas, a ala militar do governo, da qual o próprio Tarcísio faz parte, chamou o programa de "Plano Marshall", em uma referência aos investimentos feitos pelos EUA na reconstrução de países aliados logo após a Segunda Guerra Mundial.

No início da reunião interministerial ocorrida na manhã desta quarta no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, apresentou uma série de planilhas sobre as perspectivas e previsões para a pandemia do coronavírus.

Segundo o relato de presentes, o Palácio do Planalto avalia que seus efeitos se estenderão, pelo menos, até o segundo semestre do ano que vem.

Em uma breve fala, Bolsonaro disse que o quadro de dificuldades pode ser uma oportunidade para que o governo avance nas reformas administrativa e tributária e ajuste o atual arcabouço regulatório, uma forma de estimular a chegada de capital novo de investidores privados em concessões.

Em tom professoral, Guedes disse a seus colegas que, diferentemente da ajuda dos americanos para a reconstrução da Europa, o plano idealizado pela Casa Civil significaria "abrir mão de dinheiro para ajudar o próprio país". Foi o que levou à troca do nome para Programa Pró-Brasil.

Logo em seguida se colocou contrário ao aumento do gasto público, fazendo um contraponto ao núcleo militar. De acordo com auxiliares presidenciais, o chefe da Economia pregou a necessidade de manter a atual agenda liberal e ressaltou que cabe ao poder público facilitar a atração de investimentos. Sua intenção é estimular a economia via concessão de crédito com garantias estruturadas.

Guedes lembrou ainda que essa política idealizada pela Casa Civil tem uma orientação desenvolvimentista e foi adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff, causando um agravamento da situação fiscal do país.

Em conversas paralelas após a reunião, ministros militares elogiaram o plano lançado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama após a crise econômica de 2008.

A medida, cujo objetivo era reaquecer a economia e reempregar a classe média, previa a reconstrução de estradas e pontes, além da contratação de desempregados na área da construção civil.

Representantes da ala ideológica do governo, no entanto, concordam com Guedes e consideraram que o ideal seria garantir liquidez e o equilíbrio fiscal ao máximo possível.

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