Meio Ambiente

Grandes empresas pedem que governo antecipe prazo para zerar emissões de poluentes

Iniciativa acontece em um momento no qual o País é cobrado pelo desmatamento recente

Poluição causada por indústriaPoluição causada por indústria - Foto: Pexels

Presidentes de grandes empresas enviaram uma carta ao governo federal com proposta de que o Brasil neutralize suas emissões de poluentes até 2050, prazo dez anos mais curto do que o estipulado pelo governo em compromisso anunciado em dezembro.

Itaú, Bradesco, Shell, JBS, Microsoft Brasil e Suzano estão entre as signatárias da iniciativa, que acontece em um momento em que o País vem sendo pressionado a adotar metas ambientais mais rígidas, em face do aumento do desmatamento observado recentemente.

Na próxima semana, ocorre a Cúpula de Líderes sobre o Clima, evento organizado pelo governo americano que vai reunir 40 líderes mundiais de modo virtual.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, essa será a última chance de o Brasil mostrar preocupação ambiental para recuperar a confiança dos americanos e ampliar as relações com a Casa Branca.

Intitulado "Neutralidade Climática: Uma grande oportunidade", o texto foi organizado pelo Cebds (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) e divulgado nesta terça-feira (13).

Segundo os organizadores, a implantação de práticas de baixo carbono poderia gerar um ganho de R$ 2,8 trilhões até 2030 ao PIB (Produto Interno Bruto), além de R$ 19 bilhões em produtividade agrícola adicional no mesmo período.

Além dos ganhos econômicos, as propostas também teriam efeitos positivos nas esferas ambiental, comercial e reputacional, defende a carta.

"Estas soluções poderiam ser responsáveis por 37% da redução de emissões necessárias para limitar o aquecimento global em até 2°C até 2030, caso essa mobilização ocorra dentro dos próximos dez a quinze anos", afirma trecho do documento.

Esta não é a primeira mobilização de empresários em torno da questão ambiental. No ano passado, o Cebds, em conjunto com empresas e associações do setor privado, enviou uma carta ao vice-presidente Hamilton Mourão pedindo um combate "inflexível e abrangente" ao desmatamento ilegal.

Na carta enviada nesta terça, o grupo volta a destacar a articulação do setor privado em torno da pauta. "O setor privado entende ser possível dar escala à inovação e às boas práticas e, mais do que isso, planejar estrategicamente o futuro sustentável do Brasil", diz o documento.

A iniciativa também conta com apoio institucional da Amcham Brasil, da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), da Coalizão Brasil Clima - Florestas e Agricultura e da ICC (Câmara de Comércio Internacional).

A política ambiental brasileira chegou a gerar atritos com investidores estrangeiros, que pressionam o Brasil a reduzir o desmatamento, e é um dos principais obstáculos para a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), no entanto, defendem que o País segue uma política rígida na área. O governo brasileiro vem defendendo que o compromisso com metas mais ambiciosas depende da liberação de recursos por parceiros externos.

Outras instâncias, como o Banco Central, vêm se movimentando para incorporar compromissos ambientais em suas políticas. 

Na semana passada, a autarquia divulgou que pretende exigir que as instituições financeiras passem a incorporar à sua política de gerenciamento de riscos potenciais perdas com questões relacionadas às mudanças climáticas.

A ideia é que os bancos monitorem e tomem ações para se precaver de perdas com fatores como condições ambientais extremas e a transição para uma economia de baixo carbono, incorporando essas questões em seus testes de estresse e análises de cenário.

Em um painel do evento Brazil Conference, da Universidade Harvard, nesta terça-feira (13), especialistas discutiram a importância de melhorar a imagem do agronegócio brasileiro no exterior, impactada pelo aumento do desmatamento.

A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira lembrou que a fatia mais moderna do agronegócio está sendo castigada pelos setores mais atrasados. 

"O discurso atual do país é de não responsabilidade ambiental, uma vez que ele não está cuidando do patrimônio do povo brasileiro."

Já Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, lembrou que mais importante do que o governo pedir recursos no exterior para reduzir queimadas é dar sinais de combate ao desmatamento ilegal. 

"Temos um agronegócio que pode ser um impulsionador da economia no curto e longo prazos, fazendo com que os outros setores também cresçam."

Veja as empresas signatárias 

Bayer
Braskem
Bradesco
BRF
CBA
DSM
Ecolab
Eneva
Equinor
Icare
Ipiranga
Itaú
JBS
Lojas Renner
Lwart Soluções Ambientais
Marfrig
Michelin
Microsoft Brasil
Natura
Schneider Electric
Shell
Siemens Energy
Suzano
Ticket Log
Tozzini
Vedacit
Votorantim Cimentos
Way Carbon

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