Greve: um mês de transtornos

Bancários estão realizando a maior paralisação dos últimos 12 anos, impondo prejuízos à população

Acertando o PassoAcertando o Passo - Foto: Internet / Reprodução

Há um mês de braços cruzados, os bancários já fazem a maior greve da categoria dos últimos 12 anos. Eles fecham mais de 13 mil agências em todo o País, impondo diversos transtornos à população. São trabalhadores que não podem pagar contas, ter acesso ao FGTS ou tirar empréstimos. Especialistas do setor confirmam: a paralisação não causa tantos prejuízos às instituições financeiras; mas tem pesado no bolso dos brasileiros.
“Os banqueiros não terão seu lucro alterado porque, hoje em dia, a maior parte das transações é realizada eletronicamente. O prejuízo vai para a camada social que está com débitos atrasados, sujeita a juros e correção monetária”, afirmou o professor de economia da Faculdade dos Guararapes Roberto Ferreira, dizendo que é por causa das facilidades da internet que os bancos têm permitido a greve se alongar tanto. “Não duraria mais de quatro dias há alguns anos, quando a economia parava com a greve”, justificou.
“Os bancos não deixam de fazer suas transações, então o efeito recai nas pessoas com problemas que não podem ser realizados eletronicamente”, concordou o membro do Conselho Regional de Economia (Corecon), Fábio Silva, ressaltando que é direito da categoria fazer greve para lutar pelo ganho real na negociação salarial.
O empresário Dirceu Pinto sabe bem o tamanho do prejuízo. A greve diminuiu em 30% seu faturamento mensal por conta dos cartões e crediários não-pagos pelos clientes.

“Também não tenho conseguido realizar transações de alto valor com meus fornecedores e estou em débito, sujeito a juros, porque a Darf não está sendo recebida”, lamentou.
Quem também saiu decepcionada do banco foi a operadora de telemarketing Lucicleide Santos. Ela perdeu o emprego no início da greve e, desde então, tenta dar entrada no FGTS e ter acesso ao seguro-desemprego. “Não consigo, mesmo com o prazo acabando nesta semana”, lamenta. E não é só Lucicleide que está com o benefício em risco. O estudante Francisco Ferraz não pôde renovar o Fies por conta da greve.
A microempresária Sandra Queiroz não vê a hora para a greve acabar. Ela precisa do empréstimo que foi solicitado antes da paralisação, mas ainda não pode acessar.

“Concordo que a categoria tem direito à greve, mas é um transtorno ficar 30 dias sem atendimento bancário”, concluiu.
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