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Guedes diz que se aposenta e deixa o país caso reforma não seja aprovada

Em março, Guedes deu declaração em tom semelhante, durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado

Ministro da Economia, Paulo GuedesMinistro da Economia, Paulo Guedes - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro Paulo Guedes, da Economia, voltou a ameaçar renunciar ao cargo caso a reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro sofra alterações radicais no Congresso Nacional. O texto ainda é debatido na Câmara, onde congressistas estudam até um projeto próprio. Nesta sexta-feira, no fim da manhã, no Recife, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, sobre as declarações do ministro, que "'Ninguém é obrigado a continuar como ministro".

"Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar", disse o ministro à revista Veja. Guedes afirmou que uma "reforminha", como ele chamou uma proposta muito diferente da originada no governo, levaria a economia do país a um estado de caos já no próximo ano.

"Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. A velha Previdência quebrou. Não vamos ter nem dinheiro para pagar aos funcionários. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos estados e municípios", disse à revista.


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Em março, Guedes deu declaração em tom semelhante, durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. "Eu venho para ajudar. Se o presidente não quer, se o Congresso não quer... vocês acham que vou brigar para ficar aqui? Estou aqui para servi-los", respondeu na ocasião ao ser questionado se ficaria no governo caso a reforma da Previdência não fosse aprovada.

"Agora, se ninguém quiser o serviço, vai ser um prazer ter tentado, não tenho apego ao cargo, como também não tenho inconsequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota, desistir", disse à comissão.

Ainda nesta sexta-feira (24), pouco após a entrevista do ministro à Veja vir a público, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou em apoio a Guedes. "É um direito dele, ninguém é obrigado a continuar como ministro meu. Logicamente, ele está vendo uma catástrofe, é verdade, eu concordo com ele [Guedes], se nós não aprovarmos algo realmente muito próximo ao que enviamos no Parlamento. O que Paulo Guedes vê, e ele não é nenhum vidente, nem precisa ser, para entender que o Brasil vai viver um caos econômico sem essa reforma", disse, em Recife (PE), em sua primeira visita ao Nordeste como presidente da República.

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