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Guedes negocia acordos comerciais e tributários em Davos

"Taxa sobre serviços técnicos e preços de transferência são dois últimos obstáculos a serem removidos", disse Guedes à reportagem

Ministro da Economia, Paulo GuedesMinistro da Economia, Paulo Guedes - Foto: Gustavo Raniere/ASCOM/Ministério da Economia

O ministro Paulo Guedes (Economia) se reuniu nesta quarta-feira (22) com o chanceler do Erário do Reino Unido, Sajid Javid, posto correlato ao de ministro da área econômica. O ponto central do encontro foi a negociação do acordo para evitar bitributação ente os dois países.

"Taxa sobre serviços técnicos e preços de transferência são dois últimos obstáculos a serem removidos", disse Guedes à reportagem. Negociação com representantes de governos faz parte da agenda da equipe econômica durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que ocorre até sexta (24).

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Na terça (21), Guedes também se reuniu com representantes da EFTA, associados de livre comércio que reúne Finlândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein, para alinhar pontos do acordo comercial.

"Queremos acordo com Coreia do Sul, Japão e Canadá. Tudo gradual, para dar tempo de conseguirmos juros baixos, desregulamentação, simplificação e redução de impostos. Tudo gradual, para assegurar competitividade da indústria brasileira", disse o ministro.

Também está em discussão a adesão do Brasil ao GPA (Government Procurement Agreement) da OMC (Organização Mundial do Comércio) que, pelos cálculos da equipe econômica, abre mercado de US$ 1,7 trilhões (R$ 7,1 trilhões) para empresas brasileiras e impede a corrupção em compras do Governo.

A adesão ao GPA é considerado passo importante para a ambição do governo Jair Bolsonaro de colocar o Brasil na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). "Temos trabalhado em busca de melhores práticas, mais transparência, combate à corrupção, abertura da Economia", disse Guedes.

'DEMOCRACIA ESTÁVEL'
No Fórum Econômico Mundial de Davos, Guedes quer mostrar que o Brasil, além de ser um país em recuperação econômica, tem uma democracia estável. Portanto, oferece um ambiente completo de boas oportunidades a investidores do mundo todo.

"Ecos provocados pelos próprios brasileiros que se opõem ao governo deram uma ideia errônea aos investidores sobre o que tem acontecido. Eu vou apresentar os números [em reuniões a investidores]", diz ele. "O Brasil tem uma democracia estável, pujante e que funciona, e os investidores precisam ter clareza disso", disse o ministro à Folha.

Na avaliação de Guedes, um dos indicativos de que as instituições "estão saudáveis" no país foi a reação do governo aos protestos contra o vídeo do ex-secretário especial da Cultura, Roberto Alvim. Em pronunciamento na sexta-feira (17), Alvim copiou Joseph Goebbels, ministro da propaganda durante o governo Nazista de Hitler, e provocou onda de protestos que o presidente Jair Bolsonaro a demiti-lo.

"A mais recente demonstração de que nossa democracia está fortalecida foi a rápida decisão do presidente Bolsonaro de demitir o secretário", diz Guedes, que soube do vídeo e sua repercussão quando estava nos Estados Unidos para apresentar uma palestra na Mont Pelegrín Society, na Universidade de Stanford.

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