Sex, 13 de Março

Logo Folha de Pernambuco
TARIFAÇO

Haddad: relação com os EUA volta à 'normalidade' com suspensão do tarifaço

Ministro da Fazenda comentou decisão da Suprema Corte americana durante visita à Índia

Ministro da Fazenda, Fernando HaddadMinistro da Fazenda, Fernando Haddad - Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender a aplicação de tarifas recíprocas globais pelo governo de Donald Trump deve devolver as relações do Brasil com o governo americano à normalidade. A avaliação foi feita neste sábado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que está na Índia como parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Vamos ver quais vão ser os próximos passos do governo americano. Mas, independentemente da reação do executivo à decisão do Judiciário lá, nós temos certeza que estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações — disse o ministro. — Vamos restabelecer condições de normalidade, uma vez que nós entendemos que os 200 anos de amizade que unem os nossos países não podem ser comprometidos por razões ideológicas.

Haddad fez o discurso de abertura do encontro empresarial Brasil-Índia realizado em Nova Délhi, com mais de 800 participantes dos dois países inscritos. Neste sábado, o presidente Lula conclui sua passagem pelo país asiático com uma visita de Estado, incluindo encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. No domingo, o presidente segue para Seul, capital da Coreia do Sul.

Para Haddad, é preciso esperar para compreender "o alcance" da decisão do Supremo americano. Mas, seja ele qual for, o governo brasileiro seguirá a mesma atitude de buscar resolver a questão por meios jurídicos e diplomáticos. Segundo ele, a reação de Trump à decisão do Supremo, de aplicar uma nova tarifa de 10%, não afeta a competitividade do Brasil, já que atinge todos os países.

— Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e na janta consome produtos brasileiros. Eles foram paulatinamente revendo as tarifas sobre vários produtos, sobretudo esses de consumo de massa, mas nós já tínhamos a percepção de que íamos chegar a bom termo — disse o ministro.

Em meio às especulações de que está sendo pressionado pelo PT a concorrer ao governo de São Paulo nas eleições deste ano, Haddad usou seu discurso na conferência empresarial de Nova Délhi principalmente para exaltar as conquistas de sua pasta no atual mandato do presidente Lula. Sobre a relação com os EUA, para onde Lula deve viajar em março para encontro com Trump, Haddad disse que ela segue a linha do que o Brasil quer com outros países.

— Tudo o que nós queremos é, em relação à Ásia, em relação à Europa, em relação aos Estados Unidos, ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro. O Brasil é grande demais para ser o quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo — disse. — Nós fechamos o acordo com a União Europeia, que também está com dificuldades internas na Europa, mas isso tudo vai sendo superado e o Brasil vai inserindo a sua economia num contexto de multilateralismo, de paz, de cooperação, de troca. Eu sou otimista em relação ao futuro do Brasil, do ponto de vista geopolítico.

* O repórter viajou a convite da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)

Veja também

Newsletter