Incentivo do governo a inovação de empresas sofre queda na recessão

O percentual de empresas beneficiadas caiu de 39,9% para 26,2%

Segundo Mapa do Trabalho Industrial, do SENAI, áreas de metalmecânica e energia e telecomunicações demandarão técnicos capacitados em quatro anosSegundo Mapa do Trabalho Industrial, do SENAI, áreas de metalmecânica e energia e telecomunicações demandarão técnicos capacitados em quatro anos - Foto: Divulgação

O percentual de empresas beneficiadas com algum incentivo à inovação do governo recuou de 39,9%, em 2014, para 26,2%, em 2017, período que coincidiu com a recessão no Brasil, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo IBGE. No período, elas também gastaram um percentual menor da receita para desenvolver novos produtos e processos e atribuíram a queda da inovação às condições adversas de mercado.

Segundo a pesquisa do IBGE, a retração econômica do período de 2015 a 2017 afetou diretamente os investimentos e a taxa de inovação, além dos incentivos do governo. O país mergulhou na crise econômica em 2014 e em 2017 teve o primeiro ano de recuperação, com crescimento de apenas 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Entre 2015 e 2017, 33,6% das 116.962 empresas brasileiras com dez ou mais trabalhadores fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos, 2,4 pontos percentuais a menos do que no triênio anterior.

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Segundo a pesquisa, a indústria foi a mais afetada, com o menor patamar das três últimas edições, caindo de 36,4%, em 2014, para 33,9%, em 2017. A indústria ainda registrou, pela terceira edição consecutiva da pesquisa, queda na intensidade do gasto em inovação, atingindo 1,65% em 2017.

Os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento das empresas inovadoras atingiram R$ 67,3 bilhões em 2017, representando 1,95% da receita líquida de vendas do universo de empresas. Porém, o IBGE ressaltou que se tratou de uma queda de 17,42% em relação aos R$ 81,5 bilhões investidos em 2014, equivalentes a 2,5% da receita líquida.

No triênio que se encerrou em 2017, foram gastos R$ 21,2 bilhões na aquisição de máquinas e equipamentos, 0,62% da receita de vendas, e R$ 7 bilhões na aquisição externa de pesquisa e desenvolvimento, 0,20% da receita de vendas.
O IBGE mostrou que os riscos econômicos excessivos foram o principal obstáculo para as empresas inovarem, segundo 81,8% delas. Já os elevados custos para inovar caíram da primeira colocação no ranking de importância de 2014 para a segunda na pesquisa de 2017, sendo indicados por 79,7% das empresas inovadoras.

O terceiro obstáculo apontado foi a falta de pessoal, com 65,5%, enquanto a escassez de fontes apropriadas de financiamento foi indicada por 63,9% das companhias. Por outro lado, as empresas que não inovaram ou sem projetos apontaram as condições de mercado como os principais entraves para a não realização da inovação, com 60,4% das empresas indicando essa razão. As inovações prévias foram indicadas por 16,7% delas.

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