Indústrias reforçam segurança e mantêm operação na pandemia

Empresas de vários ramos reduziram o ritmo de fabricação

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Em suas dez fábricas no Brasil, a Unilever tem pago táxis de ida e volta ao trabalho aos funcionários de áreas como produção e distribuição que dependiam do transporte público para chegar ao trabalho. Com 14 fábricas no país, a gigante produz quase 30 marcas de produtos de higiene e alimentos, segmentos que têm sofrido alta demanda nas gôndolas dos supermercados em meio à pandemia do coronavírus.

"Não podemos parar, temos que manter a operação funcionando normalmente no país porque, pelo portfólio que temos, uma paralisação geraria desabastecimento", diz Renato Miatello, vice-presidente da área de cadeia de suprimentos da Unilever. A companhia também enviou para casa os funcionários de grupos de risco (como idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas e respiratórias). Quem atua na área administrativa passou a fazer home office.

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Nas suas fábricas, a Unilever passou a medir a temperatura dos funcionários e, para reduzir o fluxo de pessoas nos locais, proibiu visitas. A empresa também duplicou a frota de ônibus que faz o transporte dos funcionários. Produtos de limpeza e alimentos são duas das cadeias industriais que não pararam suas atividades em meio à pandemia.

No caso da Nestlé, que tem 30 mil funcionários no país, o protocolo de segurança das fábricas foi reforçado seguindo procedimentos adotados pela multinacional em países que já haviam sido afetados pelo novo coronavírus. "Temos um comitê que se reúne diariamente, inclusive aos domingos, para definir o que será feito para manter a operação", afirma Gustavo Bastos, vice-presidente jurídico da gigante de alimentos.

Além do aumento dos pontos de higienização, a empresa reduziu o número de mesas em seus refeitórios e aumentou o horário de almoço dos funcionários para evitar aglomerações no local. Na linha de produção, foi definida uma distância mínima entre os trabalhadores. Do início da pandemia para cá, Bastos diz que as famílias aumentaram o consumo de produtos com maior valor nutritivo e passou a fazer compras maiores para estocar alimentos. A empresa afirma, contudo, que não há risco de desabastecimento.

Na Kraft Heinz, a rotina é similar, segundo Irina Preta, diretora de recursos humanos. "Nas fábricas e nos centros de distribuição, medimos a temperatura dos funcionários na entrada. Também demarcamos [no solo] o espaçamento que deve ser mantido entre os funcionários", diz. A companhia, que tem duas unidades fabris em Goiás e emprega 2.200 pessoas, tem visto uma redução na demanda, por exemplo, de produtos embalados em sachês menores, muito usadas por clientes em restaurantes. Em compensação, as vendas no varejo aumentaram.

A Predilecta, fabricante molho de tomate, milho doce e goiabada, também mantém o ritmo normal de produção. "Não temos problema na distribuição porque 75% de nossa frota é própria, mas importamos insumos como fertilizantes, defensivos químicos e aço para latas de milho. Tudo isso é importado e, além de sofrer reajuste pelo dólar alto, tem risco de desabastecimento a depender da evolução da pandemia", diz o diretor Bruno Trevizanelli.

No ramo de bebidas, o fechamento de bares e restaurantes afetou a receita e levou grandes empresas a reduzir o ritmo de fabricação. É o caso do Grupo Petrópolis, que fabrica sete marcas de cerveja, duas de vodca e cinco de bebidas não alcoólicas.
A companhia anunciou nesta segunda-feira (30) que colocará 10 mil de seus 28 mil funcionários de férias devido à redução da demanda no período.

A duração das férias depende da área de grupo, mas varia de 10 a 30 dias, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Por enquanto, demissões estão descartadas. Entre as indústrias que pararam suas atividades estão as montadoras de veículos, como a Volkswagen, que deu férias coletivas aos funcionários e paralisou suas quatro unidades no Brasil até o fim de abril. FCA Fiat Chrysler, Honda, PSA Peugeot Citroën, BMW e Renault também interromperam a produção.

No segmento eletrônico, a Samsung suspendeu as atividades de suas fábricas no Brasil até 12 de abril. "A atividade do setor está prejudicada, fomos um dos primeiros atingidos pelos efeitos do coronavírus, antes mesmo de ele chegar ao Brasil, com a falta de insumos importados. Agora, há empresas adotando todo tipo de procedimento", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee (associação da indústria elétrica e eletrônica).

Segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) com 734 empresas de diferentes portes, 41% pararam a produção e outros 40% a mantém, mas tiveram queda na demanda. Além disso, sete em cada dez empresas consultadas pela entidade disseram ter sofrido alguma queda de faturamento devido aos efeitos econômicos do coronavírus.

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