Inflação da baixa renda desacelera

Preços subiram menos em 2016, mas o consumidor que ganha até 2,5 salários mínimos não sentiu o alívio

Audiência foi solicitada pelo deputado Danilo Cabral (PSB-PE).Audiência foi solicitada pelo deputado Danilo Cabral (PSB-PE). - Foto: Sérgio Francês

 

O índice que mede a inflação para famílias com renda de até 2,5 salários mínimos, o IPC- C1 perdeu força no ano passado. Segundo o resultado divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, ontem, a taxa de 2016 foi de 6,22%, bem abaixo do que os 11,52% registrados em 2015. No entanto, o indicador ainda ficou acima dos 6,18% medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que avalia a inflação para todas as faixas de renda.

Apesar da desaceleração dos preços, quem tem que sobreviver com até 2,5 salários mínimos não teve alívio nas contas no ano passado e diz que não conseguiu sentir essa queda nos preços. “Ganho um salário mínimo por mês e posso garantir que não chego ao próximo mês com R$ 1 na carteira. O que ganho não dá nem pra comer e pagar os R$ 200 do aluguel do meu barraco”, afirma o aposentado José Alencar da Costa, de 76 anos.

História similar vive a dona de casa Maria de Fátima, que aos 61 anos vê toda a renda que ganha alugando pedaços do seu terreno indo embora apenas com os gastos de alimentação. “Posso garantir que a cada vez que tenho que comprar alimentos, tudo está sempre mais caro”, ressalta.

Os pesquisadores da Faculdade Getúlio Vargas (FGVIBRE) ressaltam que a inflação não é a mesma para todas as famílias. Como cada pessoa tem o seu próprio perfil de consumo, as famílias de me­­­nor renda comprometem uma maior parcela do seu orçamento com a alimentação, enquan­­­to que grupos de maior ren­­­da costumam dedicar mais dinheiro com educação, saúde e lazer. Pesquisador e economista da FGV/IBRE, André Braz, também esclarece que não é porque a inflação de 2016 foi menor que os preços ficaram mais baratos.

“O que podemos afirmar é que os preços subiram em um ritmo mais lento em relação ao ano anterior, mas isso não significa que eles efetivamente estão mais baratos para os consumidores, porque continuam em um patamar alto”, destaca o pesquisador.

Entre os grupos de despesas analisados pelo IPC-C1, as maiores taxas de inflação no ano passado vieram de despesas diversas (11,21%), saú­de e cuidados pessoais (9,73%) e educação, leitura e recreação (8,88%). Já os alimentos tiveram inflação de 7,1% e os transportes, de 7,8%. As menores taxas fo­­ram observadas em habitação (2,9%), comunicação (3,1%) e vestuário (3,59%).

 

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