Inflação dentro da meta permite 'serenidade', diz diretor do BC

O IBGE divulgou que, após três meses consecutivos de queda, a inflação em maio foi pressionada pelo aumento na conta de luz e voltou a subir

Banco Central do BrasilBanco Central do Brasil - Foto: Agência Brasil

A inflação ancorada (dentro da meta estabelecida pelo Banco Central) permite "serenidade", disse o diretor de Política Monetária do BC, Reinaldo Le Grazie, nesta sexta (9), em evento do Brazil Florida Business Council, em São Paulo.

O IBGE divulgou que, após três meses consecutivos de queda, a inflação em maio foi pressionada pelo aumento na conta de luz e voltou a subir. No acumulado de 12 meses, porém, o índice registrado foi o menor dos últimos 10 anos.

Questionado se o Banco Central interpreta as incertezas sobre a aprovação da reforma da Previdência como um evento que pode elevar a inflação -por meio de um câmbio mais desvalorizado-, ou que pode trazer a inflação ainda mais pra baixo em razão do impacto negativo sobre o crescimento econômico, Le Grazie procurou não avançar muito no assunto.

Usando a expressão em inglês "too early to say", Le Grazie afirmou que é "muito cedo pra dizer". "A gente não sabe exatamente qual vai ser o reflexo e vamos administrar a situação olhando isso", disse.

Em outro evento, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que a inflação acumulada em 12 meses deve permanecer abaixo da meta de 4,5% ao longo do ano, chegando ao mínimo no terceiro trimestre. Depois, porém, deve aumentar por causa da elevação nos preços de alimentos.

"Nesse mesmo cenário, a trajetória de inflação deve atingir 4,6% em 2018", afirmou, durante encontro na Câmara de Comércio França-Brasil.

ATIVIDADE ECONÔMICA

Segundo Le Grazie, já é possível enxergar uma retomada gradual da atividade econômica, mais clara em alguns indicadores, como a de produção industrial. "A atividade vinha caindo, parou de cair e já há alguns sinais de alta".

Do lado externo, Le Grazie disse que o cenário continua incerto do ponto de vista político, mas é favorável ao Brasil e emergentes como um todo.
O diretor do BC reforçou que as reformas são fundamentais e, sem elas, as despesas voltarão a subir.

MEDIDAS MICROECONÔMICAS

Os bancos, segundo ele, estão preparados para voltar a emprestar. "Em algum momento, o crédito vai voltar a subir", afirmou. Le Grazie lembrou que, desde 2012 ou 2013, não há crescimento real do crédito privado, o que acabou sendo compensado pelos bancos públicos. Segundo ele, essa é uma conta que "estamos pagando agora".

Ele mencionou, ainda, o prazo de pagamento dos bancos aos lojistas em compras feitas à vista com cartão de crédito. No fim do ano passado, o governo discutiu reduzir esse prazo de 30 para até dois dias. Segundo ele, a redução do prazo afetaria a concorrência no setor, em especial as fintechs (empresas de tecnologia que oferecem serviços e produtos financeiros) menores, com operações baseadas nesse modelo. "A discussão não pode ser feita de um dia para outro, queremos estimular a oferta de novos produtos financeiros. Estamos trabalhando", disse.

ACORDO DE LENIÊNCIA PARA INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

A MP (Medida Provisória) 784, que impõe sanções mais duras a ser adotadas pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em caso de fraudes e cria o acordo de leniência para instituições financeiras, já vinha sendo discutida há cerca de sete anos, disse Le Grazie.

"Em uma semana não se consegue fazer nada", afirmou Le Grazie, em referência ao "timing" da decisão do governo, tomada em meio à crise política que tem afetado o presidente Michel Temer. "É uma medida que já estava na agenda do BC, numa discussão que vinha desde 2010 e em 2015 foi levada para a Casa Civil".

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