Inflação oficial do país fecha 2018 em 3,75%, abaixo da meta do Banco Central

Os dados foram divulgados pelo IBGE

Os dados foram divulgados pelo IBGEOs dados foram divulgados pelo IBGE - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2018 em 3,75%. Em 2017, ela havia ficado em 2,95%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador ficou abaixo do centro da meta estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5% ao ano, na esteira da lenta retomada da atividade econômica no país, da queda mais recente do preço dos combustíveis e da redução do preço dos alimentos frente ao verificado dois anos antes. O indicador ficou abaixo do centro da meta pelo segundo ano consecutivo.

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Em dezembro, o IPCA registrou inflação de 0,15%, taxa maior que a de novembro, que teve deflação de 0,21%. Já em dezembro de 2017, o indicador havia registrado inflação de 0,44%.

Próximos meses
Para 2019, analistas esperam inflação em 12 meses entre 4% e 5% ao ano, aumento, portanto, em relação ao verificado no ano passado. Enquanto as projeções do último Boletim Focus estão em 4,01%, já há analistas que estimam o indicador um ponto percentual mais alto.

O consenso é de que a melhora da economia poderá ser acompanhada de aumento do consumo e consequentemente, de preços. O analista da RC Consultores Everton Carneiro explica que depois de dois anos de margens ruins, os empresários podem querer compensar perdas recentes com reajustes no momento em que a atividade econômica der sinais de melhora sustentável.

Além disso, explica ele, pode haver altas pontuais de alimentos e de combustíveis. Esses últimos acompanham as oscilações de preços internacionais. Já os alimentos são mais suscetíveis a questões climáticas, difíceis de prever com muita antecedência.

"Ainda que a inflação venha aos poucos mais alta, o indicador não sairá da meta de uma hora para a outra, o que pode abrir espaço para mais cortes de juros", disse. Arbitrar juros em momento de inflação e atividade econômica em alta deverá ser o desafio do governo Bolsonaro, afirma Carneiro. Para ele, o Banco Central terá que fazer um cálculo fino para decidir entre aumentar ou não os juros quando a inflação voltar a subir no país. Ele diz acreditar, contudo, que os juros devam ficar em 6,5% ao longo de quase todo o ano, com leve alta para 7% no final do segundo semestre. Analistas ouvidos pelo Boletim Focus esperam juros de 8% ao final deste ano.

"Estimar a inflação com 12 meses de antecedência é complicado, é como jogar búzios. Pode se confirmar ou não e as variáveis são muitas. Acredito que o governo Bolsonaro, nesse aspecto específico, trabalhará entre a cruz e a espada, tendo que tolerar uma inflação mais alta sem mexer nos juros para não comprometer a retomada", disse.

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