Infraero busca saída para crise

Estatal já lançou dois programas de demissões voluntárias no País para reduzir os seus custos

Ciro Gomes (PDT) inaugurou sua campanha em discurso no Rio de JaneiroCiro Gomes (PDT) inaugurou sua campanha em discurso no Rio de Janeiro - Foto: Mauro Pimentel/AFP

 

Queda da demanda por voos domésticos, aumento dos custos para operacionalização dos terminais e repasse de quatro aeroportos à concessão privada são alguns dos motivos da reestruturação da Infraero. Para driblar o atual cenário da aviação civil e a saturação do seu quadro de pessoal, a empresa elaborou dois programas de desligamentos incentivados.

Em Pernambuco, até agora, a adesão foi 117 empregados, sendo que, desse total, foram desligados 69 empregados. Descontando os empregados que desistiram ou tiveram sua adesão indeferida, restam ainda sete funcionários a desligar por meio do Programa de Incentivo à Transferência ou à Aposentadoria (PDITA).

Apesar de não ser recente, o assunto diz bastante sobre o atual cenário do País, que anda impondo estratégias de sobrevivência aos setores econômicos. “Não temos como olhar para o caso da Infraero de forma isolada. Boa parte das empresas, como as do setor elétrico, passa por esse processo de enxugamento de quadro na tentativa de contrabalancear a equação faturamento e despesa”, analisou o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Felipe Leroy.

Essa necessidade nasceu, na visão de Leroy, depois que os negócios brasileiros diminuíram o apetite por voos domésticos e após o aumento do custo com o querosene. “A primeira medida é, sim, reduzir o quadro de pessoal. Mas, se ela não vier na dosagem certa, o efeito poderá repercutir negativamente na qualidade do serviço prestado ao consumidor final”, acrescentou.

Além do PDITA, iniciado em 2012, a Infraero lançou o Desligamento Incentivado a Pedido (DIN) este ano. Nele, existem 76 empregados inscritos até o momento, sendo que, destes, dois no Estado. Até o momento, somente um foi desligado pelo programa.
No PDITA, a adesão foi de 3.389 empregados no País, sendo que, desse montante, foram desligados até o momento 2.379 empregados. Descontados os que desistiram ou tiveram a adesão indeferida, restam ainda 318 empregados a desligar.

De acordo com a assessoria de Imprensa da empresa, o PDITA foi orçado em R$ 388 milhões, enquanto que o DIN em R$ 340 milhões. No geral do Programa Especial de Adequação do Efetivo, que contempla os dois programas, a estimativa de payback é de 1,48 ano, ou seja, a recuperação dos investimentos mencionados acontecerá em um período inferior a dois anos.

Na visão do professor de lazer e turismo da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Trigo, a Infraero tem que avaliar a qualidade dos funcionários que estão ficando no seu quadro atual. “Se saírem os bons, inevitavelmente, terá impacto no serviço”, comentou.
Risco descartado nos terminais privatizados. “Sou a favor da participação privada, pois vejo como uma forma também de melhorar o serviço, como aconteceu com Viracopos (SP)”, disse Trigo. Diferentemente dos terminais de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre, o de Recife não foi, ainda, cogitado para ser privatizado.

 

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