INSS: nova MP garante pente-fino

Medida que permite a revisão de vários benefícios perde a validade nesta sexta. Por isso, novo texto será editado

Mendonça FilhoMendonça Filho - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Para evitar uma interrupção na revisão de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Governo Federal deverá enviar uma nova medida provisória ao Congresso Nacional para garantir a continuidade do pente-fino nos benefícios de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.
Em julho, o Governo publi­cou a MP 739, que determinou a revisão de 530 mil auxílios-doença e 1,2 milhão de aposentadorias por invalidez. O texto prevê o pagamen­to de um valor extra, por perícia realizada, aos médicos peritos do INSS.
O pente-fino começou em setembro e o objetivo é economizar cerca de R$ 6 bilhões ao ano. Por ser uma medida provisória, a iniciativa entrou em vigor, mas não chegou a ser votada nem pela Câmara dos Deputados nem pelo Senado Federal. Por isso, ela perde a validade nesta sexta-feira.
Na prática, o INSS pode continuar a revisar benefícios, mas, sem a aprovação da MP, o órgão não pode pagar valores adicionais para os médicos peritos que realizarem perícias extras, o que dificulta o fluxo das revisões.
A área técnica da Casa Civil chegou a considerar o envio de um projeto de lei, mas, com receio de que a demora de sua aprovação afetasse a revisão, decidiu enviar uma nova medida provisória, que deve ser publicada até a próxima segunda-feira.
No mesmo ano legislativo, o Governo não pode enviar duas medidas provisórias com a mesma proposta. Por isso, o Palácio do Planalto deve fazer uma MP sobre outro tema e incluir no texto os termos da revisão dos benefícios por invalidez.
Crítica
Apesar de defender a necessidade de os benefícios serem revisados, como está previsto em lei, a Defensoria Pública da União (DPU) critica a MP do Governo e diz que a revisão está sendo feita de forma atropelada. O defensor público-geral federal, Carlos Paz, destacou que o programa que revisa os benefícios “não nasceu descontextualizado de um cenário de uma meta econômica”.
“No momento em que o Governo diz que precisa, no total, economizar R$ 6 bilhões com a revisão de benefício, não dá para ser muito crível que tudo isso venha de fraude, de irregularidade de concessão. Então supõe-se que isso possa gerar uma rigidez ainda maior na avaliação dos benefícios por incapacidade”, afirmou.
A DPU argumenta que os procedimentos de revisão não estão claros no documento. O órgão defende, por exemplo, que sejam fixados prazos “razoáveis” para os beneficiários fazerem nova perícia, de forma que consigam reunir documentos e laudos médicos para comprovar a situação.
Para os defensores públicos, é necessário, ainda, que a agenda de revisão dos benefícios não atrapalhe o andamento dos outros processos, como o de pessoas que solicitam outros benefícios.
“O INSS sempre pôde chamar o beneficiário para investigar se sua incapacidade de trabalhar permanecia ou não, através das perícias. O Instituto não fazia por falta de estrutura, por isso assegurou na MP uma bonificação para o médico perito que aderisse ao mutirão”, esclarece o advogado Rômulo Saraiva.
Balanço
O pente-fino pretendia reduzir 30% dos 840 mil auxílios-doença concedidos e 5% das aposentadorias por invalidez. Até o último balanço divulgado, já haviam sido cancelados 8.442 benefícios de auxílios-doença, gerando uma economia anual de R$ 139 milhões aos cofres do INSS.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), os benefícios foram cancelados devido a irregularidades na concessão. O número representa 77,49% das perícias de revisão efetuadas até o dia 15 passado. Outros 500 beneficiários foram encaminhados para reabilitação profissional e mais de mil benefícios foram transformados em aposentadoria por invalidez.

 

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