Integrantes do Mercosul confiam em mudanças sem prejuízos para o bloco

Discussão sobre as mudanças no Mercosul ocorreu durante encontro na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo

Paulo GuedesPaulo Guedes - Foto: Folhapress

Em meio às perspectivas sobre o governo eleito Jair Bolsonaro, representantes dos países que integram o Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai, a Venezuela está suspensa) disseram nesta quarta-feira (7) que aguardam mudanças, mas jamais rompimento ou prejuízos ao bloco econômico. A discussão ocorreu durante encontro na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), na capital paulista.

Leia também
Senado aprova projeto de cooperação penal entre países do Mercosul
Mercosul e Cingapura começam a negociar acordo de livre comércio
Sem consenso, acordo entre Mercosul e UE terá nova etapa de negociação


O debate foi motivado por declarações críticas do economista Paulo Guedes, confirmado para o superministério da Economia (que reunirá Planejamento, Fazenda e Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Porém, dias depois de ele dizer que o Mercosul não será prioridade, o presidente eleito ressaltou que a mudança será para evitar o “viés político” nas negociações.

O cônsul-geral da Argentina, Luis Castillo, disse que o Mercosul terá mudanças, mas sem rompimento. “Você não se separa da sua mulher se quer ir para o mesmo lado que ela, procura negociar. Não dá para romper de um dia para o outro. Tem que ser conversado.” Para Castillo, as críticas sobre a Venezuela, que faz parte do Mercosul, mas está suspensa temporariamente, devem ser superadas. Bolsonaro já afirmou que não pretende adotar ações de intervenção no país vizinho.

O adido comercial do Paraguai, Sebastian Bogado, disse que busca pela convergência de interesses, e que é necessário flexibilizar as normas para negociação com outros países. “Com todas as diferenças, dificuldades, é de se destacar que também foi feito trabalho árduo [no Mercosul]. A importância de se manter juntos é que ‘a união faz a força’, isso continua valendo, inclusive com as nossas imperfeições. Somos mais fortes juntos que separados.”

Bloco
Como bloco econômico, o Mercosul existe desde 1991. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as exportações para o bloco somaram US$ 16,7 milhões no acumulado de janeiro a setembro (alta de 1,29% sobre o mesmo período do ano passado). As importações foram de US$ 9,8 milhões também no acumulado, elevação de 12,44%.

Os principais produtos exportados foram automóveis de passageiros (21%), veículos de carga (6,6%), óleo bruto de petróleo (6,4%), peças para veículos e tratores (5,2%), manufaturados (5%) e tratores (2,8%). O Brasil importou veículos de carga (17%), automóveis de passageiro (16%) e trigo em grãos (10%).

Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, informou que avançam as negociações para um acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia. Há 18 anos, as articulações estão em curso. Mas há divergências em pontos referentes à indústria automobilística e ao acesso aos mercados de produtos como a carne bovina, o açúcar e os produtos lácteos.

Veja também

Ford investe mais na Argentina, onde está há 107 anos
Negócios

Ford investe mais na Argentina, onde está há 107 anos

Vendas do comércio varejista caem 0,1% em novembro
Economia

Vendas do comércio varejista caem 0,1% em novembro