Isolamento por coronavírus eleva preços dos alimentos em março, diz FGV

De acordo com a FGV, o arroz, subiu 1,74%, contra alta de 1,17% no início do mês

SupermercadoSupermercado - Foto: Alfeu Tavares / Folha de Pernambuco

A corrida aos supermercados para garantir estoques para enfrentar o isolamento elevou os preços dos alimentos em março, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Coleta de preços feita pelo instituto indica que 20 presentes na cesta básica tiveram reajuste médio de 1,64% na semana passada, contra 0,19% no início do mês.

Responsável pela pesquisa, o economista André Braz, diz que dois fatores pressionaram os preços. "Além do aumento da demanda por alimentos, pois as refeições estão sendo feitas nas residências, houve aumento da estocagem de alimentos por receio de que o vírus se propague mais e expanda o período de confinamento."

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De acordo com a FGV, o arroz, subiu 1,74%, contra alta de 1,17% no início do mês.
Houve também aceleração no preço dos ovos, que registraram alta de 9,04%, ante 5,04% no início de março.

Já o feijão reverteu queda com a maior procura: o carioca saiu de -2,16% para 0,58% e o preto, de -2,61% para 2,24%. O mesmo aconteceu com a carne bovina, que caía 2,31% e fechou a semana passada em alta de 0,25%. "Foi uma alta
generalizada", diz Braz.

Ele avalia que, apesar do aumento na oferta de serviços de entrega de comida, o brasileiro está preferindo cozinhar em casa para economizar. A análise é reforçada pela alta procura por botijões de gás, que fez a Petrobras anunciar nesta segunda (30) um reforço nas importações.

"Como o orçamento das famílias foi afetado pela paralisação do comércio e dos serviços, muitas delas não dispõem de renda para arcar com os custos da alimentação fora de casa", afirmou o economista da FGV.

Na semana passada, empresas que montam cestas básicas para outras empresas ou ONGs já vinham notando aumentos nos preços de alguns produtos, como feijão preto e carioca, cenário que vinha impactando doações para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Um representante de uma dessas empresas disse à reportagem que a venda de arroz de algumas marcas conhecidas estava "fechada", procedimento que costuma preceder reajustes após reavaliação da demanda.

"É a lei da oferta e da procura funcionando", diz Braz. "Mas tem um limite. Agora já se conhece a nova demanda e é provável que a gente não sinta aumentos no próximo mês. Até porque, a maior parte das pessoas trabalha no setor de serviços, que está sentindo muito a crise."

A expectativa é que, com o eventual achatamento da renda provocado pela suspensão das atividades econômicas, a demanda caia e os preços voltem a ceder.Assim, diz o economista da FGV, o impacto inflacionário será pequeno.

Na segunda, economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central, reduziram suas projeções para a inflação de 2020 de 2,90% na semana passada para 2,67%. Há um mês, as estimativas falavam em 3,20%.

A queda dos preços dos combustíveis deve ter impacto forte sobre a inflação. Desde o início do ano, a Petrobras já reduziu os preços da gasolina e do diesel em 43% e 31%, respectivamente, acompanhando o tombo das cotações internacionais.

Os repasses ao consumidor se aceleraram um pouco na semana passada. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço da gasolina caiu 1,9% na semana. Já o diesel caiu 3,4%. No ano, redução acumulada é de 2,6% e 6,9%, respectivamente.

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