JBS?justifica uso de avião por Joesley

Empresário viajou com a família no avião da JBS, empresa de capital aberto que não permite uso particular de seu patrimônio

Delação de Joesley é um dos pontos que embasam a açãoDelação de Joesley é um dos pontos que embasam a ação - Foto: Vanessa carvalho/brazil photo pen/afp

SÃO PAULO (Folhapress) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionou a JBS na sexta-feira passada sobre o uso feito pelo controlador Joesley Batista de um avião pertencente à companhia de capital aberto da qual também são sócios o BNDES e a Caixa. O empresário e sua família viajaram para os Estados Unidos no avião após a delação dos Batista na Lava Jato.

O uso da propriedade de uma empresa de capital aberto para fins particulares do controlador desatrelados dos interesses dos outros acionistas é considerado má prática de governança corporativa e prejudica indiretamente outros sócios da companhia. Ontem, a JBS respondeu que o jato foi usado para "garantir a segurança pessoal" do empresário, que na ocasião era presidente do conselho de administração.

O questionamento foi desencadeado por reportagem da Folha de S.Paulo de sexta, que informava que o avião não pertence à pessoa física de Joesley, e sim à companhia. A cada vez que a família Batista usa o avião para atividades privadas - como foi o caso da mudança que levou também o diretor Ricardo Saud -, quem divide a conta são BNDES e Caixa, que, juntos, detêm cerca de 26% de participação na JBS, além dos outros acionistas minoritários, com cerca de 30%.

A CVM, então, pediu à empresa que apresentasse documentos que comprovassem que a prática respeitou a política de remuneração. Em resposta à CVM, a JBS diz que o jato tem como finalidade ser "meio de transporte para seus administradores e executivos no exercício de suas atividades" e que a utilização do avião por Joesley foi autorizada por Wesley Batista, diretor-presidente da JBS e irmão do empresário.

Wesley disse que o uso da aeronave foi autorizado para "garantir a segurança pessoal do então presidente do conselho de administração" e que a viagem foi autorizada pela Procuradoria-Geral da República. Segundo ele, a proteção seria "essencial para a salvaguarda de interesses da companhia", devido à delação dos irmãos que abalou o governo Michel Temer.

O jato Gulfstream Aerospace GV-SP (550) da JBS é top de linha em sua categoria e tem preço estimado em US$ 65 milhões.

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