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Juro em 13,75% pressiona financiamento imobiliário com taxas baixas, diz presidente da Caixa

Maria Rita Serrano afirmou que banco terá que recorrer a fontes mais caras de captação de recursos com poupança e FGTS apresentando saques

Rita Serrano, presidente da Caixa Econômica FederalRita Serrano, presidente da Caixa Econômica Federal - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência do Brasil

A presidente da Caixa, Maria Rita Serrano, afirmou nesta quinta-feira (23) que os juros básicos da economia, em patamar elevado de 13,75%, pressionam os financiamentos para a compra da casa própria com taxas baixas. Serrano afirmou que a Caixa será obrigada a recorrer a fontes mais caras de funding (captação de recursos) para empréstimos imobiliários no atual patamar de juros.

Serrano lembrou que a Caixa tem duas fontes de financiamento com taxas mais baixas, caderneta de poupança e o saldo do FGTS, mas elas estão apresentando saques sucessivos, reduzindo esse fluxo.

- A alta de juros causa um problema de funding (captação de recursos) para emprestar recursos com taxas mais baixas no financiamento imobiliário. A poupança teve retiradas de R$ 100 bilhões no ano passado, e o FGTS, que vem apresentando saques sucessivos e perdendo recursos por causa do trabalho informal. Haverá um problema de sustentabilidade e este é um problema que nós temos que resolver”- disse Serrano, durante apresentação dos números do banco relativos a 2022.

Na Caixa R$ 33 bilhões saíram da poupança e, segundo Serrano, parte desses recursos foram para outros investimentos mais rentáveis, impactando o banco.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% e não deu indicações que a taxa será reduzida nas próximas reuniões do Banco Central. A preocupação com a expectativa de alta da inflação permanece no radar do BC.

A Caixa é a maior financiadora da compra da casa própria no país. O saldo da carteira de crédito imobiliário do banco, em dezembro de 2022, era de R$ 637,9 bilhões, o que representa 66,2% desse segmento no país. Serrano afirmou que há muitas obras do Minha Casa Minha Vida que estão sendo retomadas.

A Caixa registrou lucro recorrente de R$ 2 bilhões no quarto trimestre de 2022, 37,8% abaixo do resultado do quarto trimestre de 2021. Em 2022, o resultado totalizou R$ 9,2 bilhões, queda de 43,4%. O balanço se refere aos últimos três meses de gestão da economista Daniella Marques no comando da instituição financeira, do governo passado.

A presidente da Caixa disse que lucros elevados, como o de 2019 e de 2021, quando a instituição lucrou R$ 21 bilhões e R$ 17 bilhões, respectivamente, não devem se repetir já que foram alcançados com a venda de ativos.

- Este cenário não teremos mais. Não é nossa pretensão vender ativos do banco ou abrir capital. O objetivo do governo é manter a Caixa como uma empresa pública - garantiu.

Segundo o vice-presidente de finanças e controladoria, Marcos Brasiliano, o aumento das provisões de crédito do banco cresceram quase 40% em 2022 em relação a 2021, pressionando a margem de lucro. O aumento do provisionamento o aumento foi causado pelo programa de microfinanças, que teve uma inadimplência inicial de 80%, e pelo consignado do Auxílio Brasil.

- Esse empréstimo é uma excrecência. Não se pode endividar famílias que usam o benefício para comer. A Caixa emprestou R$ 7,6 bilhões nesse programa - disse Serrano.

A presidente da Caixa disse que 2022 foi um ano “polêmico”, marcado por uma crise reputacional da instituição com as denúncias de assédio sexual e moral contra o ex-presidente da companhia, Pedro Guimarães.

- Passamos pela pior crise reputacional dos últimos anos quando o dirigente foi acusado de assédio sexual e moral. Todo o processo investigativo interno foi encerrado e os relatórios encaminhados para os órgãos competentes. Aguardamos ansiosamente pela posição da Justiça - disse ela.

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