Leilão de transmissão tem deságio de até 74%

Por causa do atraso, o leilão se entendeu pela noite. Houve intensa disputa pelos 20 lotes. Os deságios foram elevados

Linhas de transmissãoLinhas de transmissão - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o governo federal leiloaram na tarde desta quinta-feira (28), 20 lotes para a construção, operação e manutenção de aproximadamente 2,6 mil quilômetros de linhas e subestações em 16 estados do país, com previsão de R$ 6 bilhões de investimentos pelos próximos 30 anos.

O leilão, que ocorreu na B3, começou com sete horas de atraso. Estava agendado para as 9h, mas teve início perto das 16h, por causa de uma decisão judicial conseguida pela participante Jaac Materiais e Serviços de Engenharia. O consórcio havia sido desqualificado. Após ação da AGU (Advocacia-Geral da União), ficou decidido que participaria sob júdice.

Ao dar as boas vindas aos investidores em discurso na B3, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da República, Ronaldo Fonseca, retificou o crescimento do Brasil e sua "segurança jurídica aos investidores privados" – provocando gargalhadas do público que estava há horas esperando que a liminar fosse derrubada.

O certame contou com a participação de 47 consórcios. Entre os integrantes estavam grandes grupos de energia, que já era esperados, como a Engie, a CPFL (controlada pela chinesa State Grid), a indiana Sterlite Power e a EDP, de Portugal.

Por causa do atraso, o leilão se entendeu pela noite. Houve intensa disputa pelos 20 lotes. Os deságios foram elevados. Na media ficaram em 50%.

O destaque em desconto foi o trecho em São Paulo que vai atender a região do Vale do Paraíba. Dez proponentes levaram o deságio a 73,92%. A Cteep, (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), controlada pela colombiana ISA, saiu vencedora com um lance que derrubou a receita inicial de R$ 38,8 milhões para R$ 10,1 milhões.

Apesar de haver uma enorme expectativa em relação aos chineses, que foram os grandes vencedores em leilões anteriores na área de transmissão e de geração, os mais agressivos desta vez foram os indianos da Sterlite Power. Eles levaram seis dos 18 lotes. Entre eles estava um trecho no Pará considerado um dos mais difíceis do leilão.

Por estar localizado em região de mata nativa, a avaliação dos investidores é que haverá dificuldades para se conseguir a licença ambiental. Três dos seis proponentes desistiram de participar. A previsão de andamento das obras é um dos critérios para a concessão de deságio. Quanto mais atravancado o cenário, mais baixo tende a ser o desconto. Mas apesar de o trecho ser complicado, os indianos levaram o lote com um deságio de 32,4%.

Também coube aos indianos o protagonismo mais emocionante do dia. Na disputa da linha que cruza mais de 500 km nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, o primeiro lance, com o agressivo deságio de 51,9% foi feito pelo consórcio Jaac, o responsável por atrasar o certame com questionamento judicial.

O lance gerou forte reação entre os participantes. A Sterlite Power, porém, levou o trecho com um deságio de 58,5% levando os demais participantes e comemorar a vitória sobre o consórcio Jaac.

O último lote, em Minas Gerais, foi colocado em disputa por volta das 21h e também foi arrematado pelos indianos que encerraram o pregão aos gritos de "É hexa, hexa".

Ao ser abordado na B3 para falar sobre o outro leilão, o das distribuidoras da Eletrobras, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, se mostrou otimista.

Segundo ele, o governo federal está confiante de que será possível derrubar uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski que exige consulta prévia ao Legislativo antes de privatizações para evitar que a decisão judicial impeça a realização de um leilão para a venda de seis distribuidoras de eletricidade da estatal Eletrobras, disse o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco.

"Claro que acredito que haverá de prevalecer o bom senso, e o bom senso indica que a melhor solução sob todos pontos de vista é a realização da transferência (do controle das distribuidoras) para empresas privadas, que estão inclusive interessadas", afirmou Moreira Franco.

O leilão das distribuidoras está agendado para 26 de julho. Ocorre que o STF entra hoje em recesso e, sem uma decisão, o leilão será adiado.

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