Lições para ajudar os industriais brasileiros a superarem a crise

“Ou você se prepara ou fica para trás”, afirma CEO da Porsche Consulting, fabricante mundial de carros de luxo

“Quem ficar apenas esperando a maré ruim passar está correndo risco”“Quem ficar apenas esperando a maré ruim passar está correndo risco” - Foto: Divulgação

Ninguém questiona a solidez da marca Porsche, fabricante mundial de carros de luxo. Todavia, o que pouca gente sabe é que, nos anos 1990, a montadora mergulhou em uma grave crise interna e precisou se reinventar. Uma das mudanças foi a criação da subsidiária Porsche Consulting, que promove consultorias de gestão para outras empresas mundiais, se valendo da experiência no processo bem-sucedido de remodelagem industrial. No Brasil, o CEO da Porsche Consulting, Rüdiger Leutz, quer compartilhar essas lições para ajudar os industriais brasileiros a superarem os desafios impostos pela crise econômica. E mais: para ele, é preciso se preparar para uma nova revolução industrial que está por vir, a partir das mudanças impostas pelo modelo de indústria 4.0.


Rüdiger Leutz conversou com exclusividade com a Folha de Pernambuco sobre o assunto, durante recente passagem pela Cidade para participar da 21ª edição da feira Mecânica Nordeste, que aconteceu no Centro de Convenções.

Quais as mudanças que o conceito de indústria 4.0 propõe e como o Brasil está na adequação a esse conceito? Estamos muito atrasados?
Na Europa, as indústrias estão mais avançadas nesse processo, mas os bancos brasileiros são benchmark (exemplo de melhores práticas) mundial. Para mim, isso mostra que estamos longe, mas não tanto, temos um grande potencial. O desafio brasileiro é se preparar de uma forma correta para as mudanças que estão por acontecer, porque a tecnologia já está disponível, é somente achar uma forma correta de aplicar.

Quais os principais desafios na adequação da indústria nacional a essa nova revolução industrial?
Existem lições de casa que as indústrias precisam fazer. Nos próximos cinco anos vão acontecer muitas transformações nos processos industriais e, agora, é a hora de se preparar. Ainda existe muito desperdício nos processos clássicos das fábricas, sobretudo no Brasil. Deve haver um esforço na organização de gargalos produtivos e administrativos, os quais podem ser otimizados mesmo sem muita digitalização, manualmente mesmo. É preciso revisar, reduzir, eliminar desperdício. A digitalização com a automação servirá para apoiar um processo já otimizado, do contrário, vamos ter apenas um processo digitalizado e, ainda assim, ineficiente.

Além do ganho produtivo, essas mudanças trarão benefícios aos consumidores?
A gente fala muito sobre a digitalização, coisas automatizadas, mas o primeiro benefício é a qualidade dos produtos, a maior transparência sobre processos e a redução do tempo de produção, que culmina numa entrega mais rápida e mais customizada - exatamente o que o cliente espera. Isso tudo sem aumento de preço, porque as soluções devem ser voltadas para redução de custos produtivos.

Como a Porsche trabalha dentro desses novos conceitos de eficiência?
A empresa passou por uma grande crise existencial nos anos 1990, na Alemanha. Nesse momento, implementamos uma cultura de melhoria contínua. As empresas antigas precisam se atualizar para competir nesse mercado de tantas mudanças. A Porsche Consulting foi criada justamente para passar pela crise, porque entendemos que é nos momentos difíceis que surgem as grandes oportunidades de crescimento. Isso é algo que queremos passar para os empresários brasileiros: as melhores empresas vão sair dessa crise mais fortes - melhorando os processos com foco na indústria 4.0. Quem ficar apenas esperando a maré ruim passar está correndo risco, porque o mercado está cada vez mais competitivo. A velocidade de mudança na indústria 4.0 é muito maior - ou você se prepara, olha para a tecnologia, ou fica para trás.

Como a Porsche enxerga o mercado brasileiro? Há perspectivas para a abertura de uma fábrica nacional?
Porsche é um produto totalmente importado, por enquanto, o volume de vendas no Brasil não justifica a instalação de uma planta, especialmente agora, em que todas as montadoras estão com a utilização das plantas com capacidade ociosa. Também porque somos do grupo Volkswagem, que tem quatro fábricas no Brasil. Durante a crise houve uma queda muito pequena nas vendas locais, mas vamos fechar o ano estáveis porque o mercado de carros de luxo não sofreu tantas variações como o mercado popular. Contudo, o mercado brasileiro permanece como uma aposta forte porque tem muito potencial pra crescer, principalmente a partir da melhoria da economia. Com a nossa chegada ao Brasil, no ano passado, a partir da vinda da importadora oficial, começamos a traçar uma estratégia mais focada nas oportunidades regionais do País.

Essa estratégia inclui o Nordeste, sobretudo Pernambuco, onde está a primeira revenda Porsche do Nordeste?
Sim. O Nordeste ainda tem muito potencial a ser explorado. É uma região onde planejamos abrir novas lojas e concessionárias a partir da retomada da economia. Já estamos vendo os primeiros sinais de melhoria dos indicadores, mas ainda é cedo para falar numa melhora total. O próximo ano será de preparação para a retomada.

 

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