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Governo e bancada do agro não chegam a acordo sobre projeto de dívida rural, e Fazenda prepara MP

Deputado Pedro Lupion, que representa a Frente Parlamentar do Agronegócio, se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan

Membro da bancada ruralista, Lupion se reuniu com Dario Durigan no Ministério da Fazenda Membro da bancada ruralista, Lupion se reuniu com Dario Durigan no Ministério da Fazenda  - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) do Congresso, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira que o governo apresentou uma proposta de negociação de dívidas rurais, mas que ainda não há acordo sobre as condições que serão oferecidas.

Lupion e outros parlamentares participaram de encontro com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para discutir um projeto que tramita na Câmara dos Deputados sobre o tema.

— Não há qualquer tipo de acordo sobre o fim do projeto de lei 5122 ou aprovação de uma medida provisória. O que houve hoje foi uma proposta do governo de apresentação de uma MP, após a nossa concordância, e isso que vamos trabalhar agora, para ver o enquadramento, a taxa de juros, quanto vai custar essa equalização, e a possibilidade de atender o maior número de produtores — afirmou Lupion ao fim do encontro.

A reunião faz parte da estratégia construída entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para evitar que avance na Casa o texto aprovado pelos senadores. Segundo estimativa do Ministério da Fazenda, a versão atual do projeto pode gerar um impacto de cerca de R$ 140 bilhões ao longo de dez anos. O montante, contudo, é questionado pela FPA.

 

— Continuamos usando o texto aprovado pelo Senado como base para qualquer tipo de negociação. E vamos manter nossa articulação no sentido desse texto. O que foi apresentado hoje foi uma série de alternativas — afirmou Lupion.

O projeto foi aprovado pelo Senado em junho, apesar das resistências da Fazenda, que agora apresentou uma proposta de Medida Provisória (MP) com menor impacto fiscal. O texto amplia uma proposta que havia sido aprovada anteriormente pela Câmara com escopo mais restrito, voltada ao apoio de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos.

Durante a tramitação no Senado, a abrangência foi ampliada para incluir também produtores atingidos por impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de prever uma linha especial de refinanciamento com juros reduzidos e prazos mais longos.

O líder do governo, deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o governo quer limitar a renegociação apenas para produtores rurais que tenham sido afetados por eventos climáticos.

— Tem uma divergência conceitual, eu particularmente defendo que essa medida deve atingir somente produtores e produtoras que foram atingidos pelos eventos climáticos. Eu não concordo com a proposta de estender isso para todos produtores e produtoras do Brasil — disse a jornalistas após a reunião.

O relator do projeto na Câmara, Afonso Hamm (PP-RS) afirmou que a proposta apresentada pelo governo prevê taxas de juros maiores que o projeto do Senado, de 6% a 12% ao ano.

— Nós entendemos que a taxa de juros tem que ficar abaixo de dois dígitos, nós colocamos 3,5% ao ano para pequenos, 5,5% para médios, e 7,5% para grandes produtores. O governo está com uma proposta muito acima — disse o parlamentar.

Outra divergência, segundo o relator, é o prazo de carência, que o governo quer definir em 8 anos. Para a bancada do agro, este prazo deve ser de, no mínimo, dez anos.

Os deputados devem voltar a se reunir nesta tarde para discutir tentar ajustar os pontos com a MP do governo. Segundo o líder da maioria da Câmara, Silvio Costa Filho, a ideia é apresentar uma proposta ao presidente da Câmara, Hugo Motta, ainda hoje. Uma nova reunião com o ministro Dario Durigan deve acontecer amanhã novamente.

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