Lixo de Gravatá vai virar energia

A paulista RSU Brasil venceu a licitação para construir uma usina capaz de gerar 3 MW

Deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE)Deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE) - Foto: Chico Ferreira/PSB Nacional

 

A partir do primeiro semestre de 2017, todo lixo gerado no município de Gravatá, no Agreste, será transformado em energia elétrica. Vencedora da licitação para construir a usina, a empresa paulista RSU Brasil vai investir R$ 12 milhões e gerar 3 Megawatts (MW) de potência instalada.

A ideia é que 1 MW seja consumido pela operação da planta, 800 MW usados para cuidar da iluminação pública e dos prédios da gestão municipal e direcionar o restante para o mercado de geração distribuída. A previsão é que a economia chegue a R$ 1 milhão por ano aos cofres públicos.

De acordo com o CEO da RSU, Verner Cardoso, a empresa desenvolve uma tecnologia que transforma lixo em biomassa de alto poder calorífico. “E que, de certa forma, o processo fique economicamente viável”, destacou, acrescentando que um projeto como esse pode quadruplicar a capacidade energética a partir de uma caloria por quilo de lixo. O modelo foi idealizado há um ano pela gestão atual e a licitação vencida em agosto deste ano.
Mais do que gerar a própria eletricidade, Cardoso reforça que o intuito é tratar o lixo com base na nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, assunto que terá, mais cedo ou mais tarde, que ser encarado pelas gestões municipais e estaduais. A lei nacional 12.305/2010 proíbe o armazenamento dos materiais em aterro sanitário sem tratamento prévio desde 2014, enquanto a Política Estadual, cuja lei é a 12.300/2010, exige que metas e prazos para redução do volume de resíduos para disposição final sejam definidos. Atualmente, o município produz cerca de 120 toneladas de lixo por dia. Tudo será abocanhado pela unidade fabril.
“Nós propomos também usar esse lixo para fabricar base de pavimentação, por meio de resíduos de poda, de pneus e lodo de esgoto, além, claro, de tratar o lixo e transformá-lo em energia para Gravatá”, detalhou o CEO. Para se ter ideia do impacto na conta de energia da prefeitura, a administração vai pagar R$ 0,23 centavos por quilowatts (kW) à Celpe. Atualmente, o custo é de R$ 600,00. Para começar a ser construída no aterro sanitário da região, a RSU aguarda as licenças prévias, de instalação e de operação.

 Assim que a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) liberar, a unidade será erguida em 60 dias. Durante a fase de construção, 45 empregos diretos serão gerados e, durante o funcionamento, cerca de 30.
Técnico e criador do projeto, Coronel Milton Sobral chamou atenção para a importância desse projeto com relação à eficiência energética. “Gastamos, atualmente, R$ 316 mil por mês. Com a implantação da usina, teremos uma economia de R$ 166 mil por mês somente na conta. Fora as outras economias, como a administração do aterro e a própria destinação final do lixo”, disse, reforçando o pioneirismo da cidade.

 

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