Lucro do Facebook dobra, mas empresa espera queda na publicidade por pandemia

Lucro foi de US$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre de 2019 a US$ 4,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano

Logo do FacebookLogo do Facebook - Foto: Denis Charlet/AFP

O Facebook cresceu em receita e dobrou seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, que contabilizou pouco mais de um mês do impacto da pandemia de coronavírus, afirmou a companhia em balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira (28).

O lucro foi de US$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre de 2019 a US$ 4,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Parte disso porque a empresa cortou 61,1% das suas despesas gerais e administrativas. Além disso, o cenário de juros baixos foi favorável.

A receita da companhia subiu 18%, para US$ 17,7 bilhões, acima da estimativa do mercado, que girava em torno de US$ 17,25 bilhões. Em publicidade, que representa quase a totalidade da operação, a alta foi de 17%, uma receita de US$ 17,4 bilhões.

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Apesar da alta, a companhia menciona o impacto da Covid-19 nos negócios. Assim como o Google, o Facebook não divulgou perspectiva de negócios para o segundo trimestre ou para o ano devido à incerteza do coronavírus.

Diversos setores afetados pela doença cortaram investimento em publicidade digital. O balanço do próximo trimestre deverá mostrar o cenário completo do impacto da Covid-19 nas empresas de tecnologia.

"Experimentamos uma redução significativa na demanda por publicidade, bem como declínio nos preços de nossos anúncios nas últimas três semanas do primeiro trimestre de 2020", disse o Facebook em relatório.

A gigante de redes sociais diz que, depois de acentuada queda inicial, vê sinais de estabilidade refletidos nas primeiras três semanas de abril. "A receita com publicidade [no período] foi aproximadamente estável em comparação com o mesmo período do ano passado".

Apesar da queda já esperada na demanda publicitária, que também desacelerou o crescimento do Google, a empresa de Mark Zuckerberg conseguiu reter usuários em seus produtos. Isso é importante porque, passada a crise, o engajamento volta a ser um ponto de atração para a retomada de anunciantes.

A receita média por usuário, entretanto, caiu de US$ 8,5 para US$ 6,95 na comparação entre o último trimestre de 2019 e o primeiro deste ano.

O número de usuários ativos diários foi de 1,73 bilhão em março deste ano, 11% superior ao mesmo mês de 2019, com destaque para o crescimento na região de Ásia e Pacífico.

Foi durante a crise que o Facebook fez seu maior investimento em uma empresa externa. Comprou quase 10% da da Realiance Jo, a gigante de telecomunicações da Índia controlada pelo bilionário Mukesh Ambani, que lidera o mercado de internet móvel do país, com 388 milhões de assinantes.

A operação é estratégica pelo potencial do mercado indiano, com mais de 560 milhões de usuários de internet, e pelo uso do WhatsApp no país, que é um mercado tão importante para a companhia quanto o Brasil.

TROCA DE MENSAGENS
A pandemia ajudou a elevar a troca de mensagens nas plataformas do Facebook, que registraram alta de 50% em março em países impactados pelo vírus. Áudios e videochamadas também dobraram no Messenger e no WhatsApp, segundo relatório recente da empresa.

Para conquistar parte do mercado das videochamadas, que explodiu durante a pandemia, o Facebook anunciou o Rooms, ferramenta para competir com aplicativos como o Zoom. Também aumentou o número de participantes permitidos em uma conversa de WhatsApp.

Nesta quarta, as ações do Facebook subiram 6% , cotadas a US$ 194,19. No ano, elas caíram 5%.

Em seu balanço, o Facebook destaca que investiu mais de US$ 300 milhões durante a crise, sendo US$ 100 milhões em iniciativa para a indústria de mídia e US$ 100 milhões a pequenos negócios.

A empresa também tomou ações para conter o avanço da desinformação, dando destaque a notícias de veículos de comunicação e limitando o repasse de mensagens encaminhadas no WhatsApp.

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