Economia

Maia diz que equipe de Guedes usa fake news contra socorro a estados

As declarações foram feitas na tarde desta quinta-feira (16), antes da votação do auxílio emergencial complementar aprovado pelo Senado há duas semanas

Rodrigo MaiaRodrigo Maia - Foto: Luis Macedo - Câmara dos Deputado

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acusou a equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) de usar fake news para desqualificar o projeto de socorro a estados aprovado pelos deputados na última segunda-feira (13).

Maia afirmou ainda que a contraproposta apresentada pelo governo, de um socorro de R$ 77,4 bilhões, inviabilizaria "quase todos os estados num prazo de 45, 60 dias".

As declarações foram feitas na tarde desta quinta-feira (16), antes da votação do auxílio emergencial complementar aprovado pelo Senado há duas semanas.

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"A proposta do governo são R$ 22 bilhões para estados e municípios. Do meu ponto de vista, isso inviabiliza quase todos os estados num prazo de 45, 60 dias", afirmou. "O governo não pode querer, usando número, enganar a sociedade".

Para ele, o interesse do governo é fomentar uma disputa com a federação. "Eu não vou entrar nesse jogo de números, nessa fake news da equipe econômica, usando números para tentar enganar a sociedade e a imprensa", criticou.

O relator do texto, deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), calcula que a proposta de ajuda da Câmara teria impacto de R$ 89,6 bilhões. Segundo Maia, em um dos cenários traçados, a equipe de Guedes estimou que o custo do projeto aprovado pela Câmara chegaria a R$ 285 bilhões.

"Aí, quando eu fui olhar, é porque eles estavam trabalhando com a hipótese de a arrecadação ser zero. De ISS [imposto municipal] e ICMS [estadual]. Se isso for um dado, a crise é mais profunda do que eles estão projetando para a gente", rebateu.

Maia, contudo, descartou qualquer tipo de retaliação contra o governo, como a aprovação de pautas-bombas para aumentar o rombo fiscal. "Então eu acho que não vou entrar nessa disputa", disse.

O deputado afirmou ainda que as agressões à proposta da Câmara têm motivação política.

"Claramente o governo tem um conflito e o ministro da Economia participa dele, contra os estados", afirmou Maia, citando especificamente os estados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

"Nitidamente, por mais que a gente saiba que o foco deve ser Rio de Janeiro e São Paulo, todos os outros estados devem ser prejudicados, porque o governo, em tese, não quer ajudar da forma como nós entendemos que é o correto para o enfrentamento da crise", complementou.

Maia também defendeu que Câmara e Senado dialoguem para construir um texto consensual. Assim, seria possível elaborar uma solução ao problema sem o risco de o projeto ser alterado na outra Casa -a Câmara é quem dará a palavra final à proposta, antes de enviar para sanção ou veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Essa tese de aprovar um projeto do Senado e esquecer o da Câmara não é uma fórmula que vai gerar equilíbrio nas duas Casas", ressaltou.

De acordo com ele, se o Senado tiver uma outra proposta, a Câmara está aberta a ouvir. "O problema é que o governo na verdade não queria dialogar, queria impor uma posição do ministro da Economia que não resolveria o problema de estados e municípios", afirmou.

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