Maioria desaprova condução econômica de Temer, diz pesquisa do governo

Levantamento feito pelo Ibope indica que 51% das pessoas estão pessimistas em relação ao futuro do Brasil e 78% desaprovam o governo.

População População  - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Pesquisa encomendada pelo Palácio do Planalto mostra que a maior parte das medidas celebradas pelo presidente Michel Temer é desaprovada pela população, que ainda não sentiu os efeitos reais da queda na taxa de juros e na inflação do país.

Levantamento feito pelo Ibope, ao qual a reportagem teve acesso, indica que 51% das pessoas estão pessimistas em relação ao futuro do Brasil e 78% desaprovam o governo.
Os indicativos que mais chamaram a atenção dos auxiliares de Temer mostram que a política para juros, inflação e combate ao desemprego não têm aprovação popular, apesar de serem medidas ecoadas nos discursos do presidente como os grandes trunfos de sua gestão.

De acordo com os dados, 82% desaprovam a política de juros do governo, assim como 69% não avaliam positivamente a maneira como a equipe de Temer tem conduzido medidas para o controle da inflação. Outros 74% desaprovam as ações para combater o desemprego.

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Nos últimos meses, a inflação ficou em baixa e a taxa básica de juros caiu para 7,5% ao ano, atingindo nível de queda histórico. A taxa de desemprego do ano passado, porém, ficou em 12,7%, o maior contingente de pessoas sem trabalho dos últimos seis meses.

O discurso de Temer e de sua equipe econômica é de que os índices estão melhorando e, em meados de março, devem ser sentidos mais diretamente pela população.
Esse também é o prazo para o cálculo político do governo nas eleições presidenciais. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), por exemplo, colocou março como prazo final para decidir se será ou não candidato ao Planalto no pleito de outubro.

Temer e seus assessores articulam para formar uma aliança em torno de um nome de centro-direita para tentar furar a polarização entre o PT do ex-presidente Lula e a candidatura de Jair Bolsonaro (PSC). Mas as últimas pesquisas de intenção de voto refletem que esse bloco não tem conseguido se viabilizar.

Efeito real
Os números levados ao Planalto no fim de janeiro mostram que o efeito real de uma possível melhora na economia ainda não foi sentido: 79% das pessoas acham que os preços estão aumentando, enquanto 16% avaliam que estão iguais e apenas 3% os sentem diminuindo.

Em uma cenário mais amplo, os dados também não animam Temer e seus assessores: 42% acreditam que a economia está pior do que há seis meses e 54% dizem que o desempenho do governo -ruim ou péssimo para 63%- não vai melhorar até o meio do ano.

O Ibope ouviu 2.002 pessoas entre os dias 25 e 29 de janeiro, em 140 municípios, e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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