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Mercado dos cosméticos de olho no desenvolvimento sustentável

Empresas e clientes estão cada dia mais atentos à busca pelos tratamentos estéticos com o menor impacto ambiental possível

Cosméticos sustentáveis Cosméticos sustentáveis  - Foto: Divulgação

Com faturamento estimado em cerca de R$48 bilhões em 2018, e com projeção de, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec), fechar 2019 com mais e R$ 50 bilhões em vendas, ao que tudo indica, os anos de recessão econômica parecem não ter atingido fortemente o mercado de beleza no Brasil. No entanto, mesmo se o setor passou “patinando” pela crise, parece que não ter se esquivado das mudanças do perfil de consumo consciente que nos últimos anos tem ditado a escolha do consumidor brasileiro. Das ações mais simples e por anos recriminadas em todo mundo, como não realizar testes em animais, as mais focadas em um estilo de consumo peculiar de alguns grupos, como os dos veganos, as transformações já são um fato na indústria de cosméticos e beleza. Nesse contexto, ou se adéqua às exigências ou perde a uma fatia considerável nesse mercado ascendente chamado beleza.

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Dentro dessa linha, a Natura lançou, no início deste ano, o novo posicionamento institucional da marca: “O Mundo É Mais Bonito Com Você”. A campanha é um convite para que as pessoas sejam agentes de transformação da sociedade e reforça princípios e compromissos da marca como o compartilhamento de riqueza, a não realização de testes em animais, a valorização da diversidade, a redução de resíduos, a escolha de ingredientes vegetais e de fontes renováveis, o cuidado com a origem dos produtos e o combate às mudanças climáticas. “Neste momento tão importante para a Natura, voltamos o olhar para nossa essência e reafirmamos nossa visão de mundo. Com base nos pilares que desde sempre norteiam nossa atuação - a beleza livre de estereótipos, o poder das relações e o desenvolvimento sustentável -, queremos fazer um chamado poderoso para o engajamento da nossa rede na construção de um mundo mais bonito, justo e equilibrado”, afirma Andrea Álvares, vice-presidente de marketing, inovação e sustentabilidade da Natura.

O posicionamento enfatiza as escolhas feitas pela empresa em busca do desenvolvimento sustentável, como ser carbono neutro e priorizar o uso de ativos da biodiversidade brasileira com benefícios cientificamente comprovados, em um modelo de negócios que gera e compartilha valor com a rede de mais de 1,7 milhão de consultoras na América Latina e as mais de 5 mil famílias de comunidades fornecedoras, na Amazônia e em outras localidades, contribuindo para a conservação de mais de 257 mil hectares de floresta em pé - área equivalente aos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro juntos.

Na mesma linha, a pernambucana Yes Cosmetics, que já tem o selo cruelty free (livre de crueldade) por não testar produtos em animais, segue engajada à causa do consumo consciente. Para tanto, é uma das pioneiras na retirada do polietileno em suas formulações, que deve se tornar obrigatório apenas em 2021. A empresa substitui o polietileno como ativo esfoliante do produto por perlita mineral 100% natural. A mudança beneficia o meio ambiente e evita a poluição dos rios e mares. “A partir de agora todos os nossos produtos esfoliantes, tanto em linha como em desenvolvimento, serão produzidos sem o polietileno. Estamos buscando alternativas naturais que agreguem valor ao nosso produto, com menor ou nenhum impacto ambiental”, explica Ketty Jesus, Diretora de P&D da Yes! Cosmetics.

Para a jornalista e assessora de imprensa, Ana Quitéria, que desde 2015 escolheu como opção de vida ser vegana, a experiência de consumo tem melhorado ao longo dos anos. Afinal, ao ser vegana, ela não consome absolutamente nada de origem animal, inclusive produtos de maquiagem e higiene pessoal. “A cada dia está mais fácil. Aparecem marcas novas e, obviamente de olho em um mercado que só cresce, empresas que não são totalmente veganas estão lançando produtos aptos para veganos”, revela a jornalista.

Já para quem não é vegano, como a estudante Maria Victoria, a utilização de cosméticos pode vir como alternativa para fazer bem ao meio ambiente. “Faz uns dois anos que iniciei a transição e no começo era porque eu estava pensando mais no mundo, meio ambiente, animais etc... Comecei tentando até mudar a alimentação, mas não deu muito certo, então fiquei mais nos produtos que foi o que consegui”, afirma.

Ela conta que a transição para os produtos cruelty free foi difícil, porque teve que gastar mais e comprar produtos separados dos que tinha em casa. No entanto, ela dá uma dica para quem quer realizar esta transição. “A pessoa deve começar devagar, primeiro por produtos de cabelo, depois maquiagens, hidratantes etc”, explica.

Investimentos por associações 

Além dos esforços de empresas, existe também a atuação de associações como a ABIHPEC, que possui o programa “Dê a Mão Para o Futuro - Reciclagem, Trabalho e Renda” -, lançado em 2006 e que atualmente registra resultados expressivos.

Somente em 2018, foram recuperados e encaminhados para reciclagem aproximadamente 117 mil toneladas de embalagens pós-consumo. O resultado atendeu a meta estabelecida no Acordo Setorial de Embalagens, que reúne entidades de diversos setores da economia, entre elas a ABIHPEC, em prol da logística reversa. Também no ano passado, o “Dê a Mão Para o Futuro” apoiou por meio de investimentos 144 cooperativas, localizadas em 91 municípios de 14 estados brasileiros, e 4.700 mil catadores fizeram parte do programa em 2018. Estas cooperativas movimentaram R$ 62 milhões com a venda dos materiais recicláveis que coletaram.

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