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Mesmo com o aumento das exportações, balança de Pernambuco continua deficitária

Complexo Portuário de Suape, no Litoral Sul de Pernambuco, é um hub de logística no EstadoComplexo Portuário de Suape, no Litoral Sul de Pernambuco, é um hub de logística no Estado - Foto: Suape/Divulgação

Pernambuco encerrou o ano de 2020 com um cenário de vendas estabilizadas para o mercado externo e quedas consideráveis da importação de produtos, segundo dados levantados pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). O cenário já era esperado, e acabou gerando uma redução no déficit histórico da balança comercial do Estado em 48,2% em relação a 2019, mas de acordo com a Federação, isso ainda não permite uma mudança na característica importadora de Pernambuco. 

Segundo números da Fiepe, as exportações em Pernambuco cresceram 7,2% enquanto que as importações tiveram uma queda de 32,3%, na comparação com o ano de 2019. Já a quantidade de empresas importadoras foi maior, com 688 empreendimentos, enquanto as exportadoras em 2020 foram de apenas 257 empresas. 

Na avaliação do gerente de Relações Industriais da Fiepe, Maurício Laranjeira, o cenário se desenhou dessa forma em Pernambuco porque o Estado importa mais do que exporta. “Com relação as exportações a gente fechou o ano com US$ 1,5 bilhão em exportação, em 2017 foi quase US$ 2 bilhões. No tradicional a gente importa mais do que exporta, nosso déficit já é histórico, as pessoas aproveitam Suape, nosso parque industrial, esse déficit já tinha tendência de diminuir, mas o que pesou foi a queda nas importações”, analisou. 

Maurício conta ainda que a pandemia provocada pela Covid-19 impactou as importações pernambucanas, por conta do longo período de isolamento social. “Pra o que a gente previa, acabou sendo positivo por conta do aumento das exportações, quando comparamos com 2019. Teve uma queda grande nas importações, enquanto no brasil a queda foi de 10%, caímos mais que a média nacional, e nas exportações crescemos mais que o Brasil. Isso fez com que o déficit diminuísse, uma redução muito mais pelas importações do que o acréscimo das exportações”, contou.  

Os dados da Fiepe, também apontam que o crescimento das exportações se deu principalmente pelo aumento da comercialização de óleos combustíveis, do açúcar e das frutas. O que não permitiu uma alta maior na categoria foi o desempenho dos setores automotivo e do petróleo, que sentiram de forma mais forte os impactos da pandemia, apresentando retração de 45% e 23,4%, respectivamente. 

Segundo o gerente da Fiepe, o que permaneceu e foi positivo para o desempenho pernambucano, foi a parceria comercial bilateral com parceiros como Cingapura, Argentina e Estados Unidos, que são parceiros fortes para a exportação, e destaca o estímulo para exportações para mudar o cenário. 

“Essa relação se manteve, Cingapura é um país da pauta única, óleo e combustível, Estados Unidos que é mais diversificado, na exportação é forte, Cingapura tem uma boa relação com a importação. Temos um polo industrial diversificado e pode melhorar isso, basta fomentar a cultura exportadora, para aumentar esse número”, finalizou Laranjeira. 

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