Mesmo com venda da Odebrecht Ambiental, contrato com a Compesa não deve ser afetado

Apesar disso, atraso atinge quase 60% dos investimentos em andamento

Banco do BrasilBanco do Brasil - Foto: Paullo Allmeida

 

Um dia depois de fechar contrato de venda com a Brookfield, a Odebrecht Ambiental garantiu que a transferência do seu controle acionário não vai afetar os contratos mantidos pela empresa. Entre eles, está a Parceria Público-Privada (PPP) assinada com a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) a fim de universalizar o esgotamento sanitário na Região Metropolitana do Recife e no município de Goiana. O contrato, com prazo de 30 anos e investimentos de R$ 4,5 bilhões, é um dos maiores da empresa, que fatura cerca de R$ 2,5 bilhões por ano.

Em nota, o braço ambiental do Grupo Odebrecht informou na sexta-feira (28) que “toda a estrutura técnica da Odebrecht Ambiental é parte da transação e permanece inalterada, assim como o seu quadro de funcionários, garantindo sua capacidade técnica-operacional e a manutenção dos compromissos com todos os municípios onde ela atua”. Sobre o projeto pernambucano, a empresa afirmou que ainda neste ano vai dar início a obras que estão atrasadas no Recife e em Jaboatão dos Guararapes.

A empresa ainda confirmou que a negociação com a Brookfield envolve 70% das suas ações, já que os outros 30% continuam com o fundo de investimento em infraestrutura do FGTS, o FI-FGTS. A venda, como publicou a Folha de Pernambuco, foi fechada por US$ 768 milhões com o pagamento extra de US$ 110 milhões caso a empresa atinja metas de crescimento nos próximos três anos. Para ser efetivada, porém, a transação precisa de aprovações do poder público e dos financiadores, além de aprovações regulatórias. Por isso, a expectativa é que o negócio só seja concretizado no início de 2017.

Parceira da Odebrecht Ambiental em Pernambuco, a Compesa disse que estava ciente da negociação há cerca de três meses e confia no potencial da nova acionista da empresa e na manutenção da PPP do Saneamento, que está com boa parte das obras atrasadas.

“A Brookfield é um grupo forte de investimento e tem experiência nesse setor. Então, não vemos a negociação como um risco ao contrato. Entendemos que esta deve ser uma operação positiva para o nosso contrato”, afirmou o diretor de novos negócios da Compesa, Ricardo Barretto. Ele ressaltou, porém, que a companhia ainda vai receber documentos que detalham a capacidade de investimento e a situação financeira da Brookfield para poder decidir se aprova ou não a venda.

Crise atrasou PPP, diz a Compesa

A Compesa também falou na sexta-feira, pela primeira vez, sobre a auditoria do Tribunal de Contas do Estado (Estado) que aponta atrasos nas obras da PPP do Saneamento e foi antecipada pela Folha de Pernambuco. A companhia confirmou o atraso, que atinge quase 60% dos investimentos em andamento, e o justificou dizendo que tanto os repasses federais quanto os públicos diminuíram com a crise. A Compesa ainda disse que cobrou multa pela não conclusão das obras de São Lourenço da Mata à Odebrecht Ambiental.

“Existem atrasos tanto do parceiro público quanto do privado; porque, com a crise na qual o Brasil se inseriu, o Governo Federal, que é o maior financiador das obras de saneamento, não conseguiu manter o desembolso dos anos anteriores. Com isso, tivemos dificuldades de manter nossas obras”, explicou o diretor de novos negócios da Compesa, Ricardo Barretto, que admite atrasos em locais como Boa Viagem, Cordeiro, Imbiribeira, Paulista e Olinda. Outras obras seguem em ritmo menor que o esperado e a Compesa só espera retomar o andamento normal quando os repasses federais forem regularizados.

O não-cumprimento do cronograma acaba interferindo, então, nas obras que são de responsabilidade da Odebrecht Ambiental. “O parceiro privado atrasou tanto por conta de dificuldades em relação aos próprios recursos quanto por conta dos investimentos públicos, porque, em algumas localidades, o desempenho deles depende do nosso”, explicou Barretto, dizendo que, por isso, a construtora só pôde ser punida pelo atraso na construção do sistema de tratamento de água e esgoto de São Lourenço da Mata.

Em nota, a Odebrecht Ambiental prometeu retomar o trabalho em São Lourenço este ano e disse que quer dar início a obras que já deveriam estar em execução no Recife e em Jaboatão até dezembro. E a meta, divulgada mesmo após o contrato de venda com a Brookfield, é iniciar serviços em mais 12 municípios até 2018. A Odebrecht Ambiental responde por R$ 3,5 bilhões dos R$ 4,5 bilhões de investimentos previstos na PPP do Saneamento.

 

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