Mesmo em crise, Oi tem destaque

A recuperação judicial vem ajudando empresa a ter de volta poder de investimento. Meta é atrair investidor

Fernando Haddad recebeu o deputado federal Silvio costa para discutirem os rumos da esquerda no País, além de avaliarem as eleições 2018Fernando Haddad recebeu o deputado federal Silvio costa para discutirem os rumos da esquerda no País, além de avaliarem as eleições 2018 - Foto: Divulgação

Apesar de assustar investidores e órgãos regulatórios, o pedido de recuperação judicial não atrapalhou os índices de investimento e crescimento da Oi. Pelo menos é isso que afirma o diretor nacional de varejo da companhia, Bernardo Winik. Ele explica que a empresa recorreu à medida para poder continuar aperfeiçoando sua capacidade operacional. Por isso, depois que se livrou das dívidas, em junho, pôde voltar a investir. 

E, desde então, teria até ampliado seu caixa de R$ 5 bilhões para R$ 7,2 bilhões.
Em visita ao Recife, Winik reconheceu em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco que, antes de recorrer à Justiça, a Oi estava atada. Afinal, detinha dívidas altas demais para o seu orçamento e, por isso, não conseguia manter investimentos - ao todo, o processo envolve R$ 65 bilhões de débitos.

Porém, ao entregá-los à Justiça, a companhia voltou a empregar suas receitas em melhorias de rede, aperfeiçoando a qualidade do serviço prestado. “A recuperação é feita justamente para proteger a operação comercial. E foi essa a decisão que tomamos: abrir uma janela com os credores para encontrarmos uma forma de pagar a dívida sob outras condições, de forma que não afete a capacidade da companhia de investir e prestar serviços para os clientes”, afirmou o diretor.
O executivo contou que a companhia treinou todos os canais de atendimento para esclarecer as dúvidas dos clientes em relação ao processo de recuperação judicial e mantém uma equipe para tratar do assunto. Porém, continua com a maior parte de seus colaboradores voltados à questão operacional. "E aqui é vida normal, os investimentos continuam", garantiu, dizendo que o volume de investimentos cresceu 14,3% entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2015.
Segundo a companhia, foram aplicados mais de R$ 3,4 bilhões no País. Desses, R$ 94 milhões vieram para Pernambuco, onde a Oi é líder em telefonia móvel com 4,5 milhões de clientes. O Estado recebeu serviços de expansão e manutenção da rede que melhoraram a qualidade do serviço e levarão, até o fim do ano, a cobertura 4G às cidades de Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Garanhuns, Igarassu, Vitória de Santo Antão e São Lourenço da Mata.
Com isso, a companhia registrou bons resultados em todas as áreas de atuação. No segmento móvel, por exemplo, a receita líquida marcou R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre de 2016. No residencial, o volume foi ainda maior: R$ 2,3 bilhões, com crescimento anual de receita líquida de 7,8% e 29,2% nos serviços de banda larga e TV, respectivamente.
“Os números comprovam que, operacionalmente, a companhia entrega um resultado melhor a cada dia. Se consultarmos os indicadores de qualidade da Anatel, todos os índices da Oi são melhores que os de quatro meses atrás. Evoluímos até no número de reclamações. E é por isso que, mesmo quando fala de intervenção, a Anatel não toca na questão operacional”, disse Bernardo Winik, garantindo que a Oi também não obteve novos problemas financeiros.

“Agora, a companhia gera caixa suficiente para pagar todas as contas e ainda continuar investindo. Prova disso é que, quando pedimos recuperação judicial, tínhamos R$ 5 bilhões em caixa. E hoje temos R$ 7,2 bilhões”, afirmou.
O diretor de varejo da Oi ainda disse que é com esses bons resultados que a companhia pretende mostrar aos investidores que ainda vale a pena investir nela, aderindo ao processo de recuperação judicial. “Desse jeito, provamos para nossos credores que eles podem aceitar a renegociação da dívida apostando no futuro da companhia porque, operacionalmente, ela é saudável e gera resultado”, finalizou.

"Criamos planos transparentes, que agregam serviços"
Em conversa exclusiva com a Folha de Pernambuco, Bernardo Winik também comentou o desempenho da Oi em cada setor do mercado de telefonia. E ele garantiu que nem o processo de recuperação judicial nem a crise reduziram o número de clientes da operadora. Ao contrário, o volume teria até subido com a retomada dos investimentos e a renovação do portfólio de produtos da companhia com o lançamento de produtos simples e convergentes. Entenda os pormenores de cada serviço:

Móvel pós-pago
Temos crescimento ano a ano no pós-pago. E crescemos mais que outras operadoras porque simplificamos nossos planos. Os consumidores estavam cansados de pagar por planos complicados. Então, criamos planos transparentes, que agregam serviços. Com isso, temos o melhor custo-benefício do mercado. Não somos a operadora mais barata, mas oferecemos mais serviços pelo mesmo preço.

Então, é possível economizar na Oi. E isso é importante neste momento em que todo mundo está com o orçamento apertado. Além disso, fomos a primeira operadora a oferecer planos com minutos para outras operadoras. Com isso, os clientes não têm mais a necessidade de terem vários chips para poder fazer um melhor uso do seu dinheiro.

Móvel pré-pago
O pré-pago vem sendo muito afetado pela conjuntura econômica, porque tem uma relação direta com a taxa de desemprego. Com o desemprego crescente e a redução da renda das pessoas, o uso do serviço diminuiu. E isso não é exclusividade da Oi, porque a conjuntura econômica afeta a todos os concorrentes. A despeito disso, a Oi cai menos que outras operadoras por conta do Oi Livre.

Produtos residenciais
Olhando historicamente, percebemos que a Oi tem uma queda na receita residencial desde 2003 em função da queda de linhas fixas. Afinal, é tendência natural do mercado que o telefone fixo seja descontinuado. Porém, em função do combo e da estratégia de convergência que lançamos em abril com o Oi Total, conseguiremos ter um crescimento na receita residencial neste ano, depois de muitos anos de queda.

Isso porque na hora que agregamos ao telefone fixo os serviços de banda larga, TV e telefonia móvel, entregamos a proposta de valor mais vantajosa do mercado. Então, por conta da grande adesão ao combo - pretendemos encerrar o ano com um milhão de clientes no Oi Total -, estamos vendo o volume de linhas fixas caírem em velocidade menor.

E já conseguimos ver um crescimento da receita residencial porque também observamos um crescimento na receita da banda larga, sobretudo com a adesão aos planos de alta velocidade; a receita de TV também cresce com a Oi TV, que oferece uma qualidade de imagem e uma quantidade de canais HD maior que a concorrência; e o crescimento da telefonia móvel. A combinação desses quatro elementos fez esse nicho voltar a crescer, mostrando que a estratégia de convergência é o caminho.

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