Meta do BB é economizar R$ 2,9 bi

Parte da redução de custos virá do fechamento de agências. O BB diz que o cliente não será afetado

Agência do Banco do BrasilAgência do Banco do Brasil - Foto: Divulgação

 

Com uma estrutura considerada inchada, o Banco do Brasil anunciou ontem que espera reduzir seus custos em R$ 2,9 bilhões ao ano com o fechamento ou redução de quase 800 agências e a aposentadoria de cerca de 9.000 funcionários. De acordo com a direção da empresa, o encerramento das unidades será precedido por ampla comunicação aos clientes e a mudança de agência deverá ocorrer automaticamente, sem que o cliente precise fazer qualquer procedimento.
Com as medidas, a instituição espera se adequar às regras internacionais de saúde financeira determinadas pelo BIS (espécie de banco central dos bancos centrais), até julho de 2017, sem nenhum aporte do Tesouro Nacional. O prazo para essa adequação, sem a qual um banco é considerado insolvente, é janeiro de 2019.
“Mas queremos chegar já em julho do ano que vem, por razões prudenciais”, disse Paulo Caffarelli, presidente da instituição. O BB possui um gasto R$ 3 bilhões maior com pessoal do que a média dos bancos privados.
O plano de reestruturação pre­­­vê o fechamento de 402 agências no País e a transformação de 379 agências em postos de atendimento. Em Pernambuco, sete agências terão suas atividades encerra­­­das e nove serão transformadas em postos de atendimen­­­to. A redução anual será de R$ 750 milhões em despesas com as unidades de atendimento.
Já a meta do Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada é de chegar a uma redução de 9.300 vagas no quadro de pessoal. O banco divulgou algumas simulações sobre o quanto poderia ser economizado, dependendo da adesão. Se 5.000 funcionários aderirem, a economia seria de R$ 1,18 bilhão anuais. Se 18 mil resolverem se aposentar, a economia seria de R$ 3 bilhões. Se a metade decidir pela aposentadoria, que é o objetivo do banco, a economia seria de R$ 2,13 bilhões.
Surpresa
Segundo o presidente interino do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura, a notícia pegou a todos de surpresa. “Com essa atitude, o BB vai deixar de fazer a sua função crucial - atender à população. Porque, a partir do momento em que ele fecha ou transforma as agências em postos de atendimento, termina limitando os serviços, deixando de fomentar a economia local”, afirma o sindicalista. No entanto, o BB afirma não existir diferença nos serviços prestados por uma agência e um posto de atendimento.
Moura revelou que, hoje, o Sindicato irá se reunir com representantes da Superintendência do BB no Estado para dialogar. “Precisamos tentar reverter essa situação. Na visão do sindicato, o que está acontecendo é uma clara tentativa de justificar um processo de privatização”, diz.
Para o professor de finanças do Ibmec, Marcos Sarmento, a reformulação do BB é absolutamente normal diante do atual cenário econômico. “Qualquer instituição tem o de­­ver de reduzir os custos pa­­­­­ra aumentar o lucro. Isso é normal para ampliar a competitividade. Se a ação vai afetar serviços, fechar agências, é um efeito colateral necessário para a sobrevivência”, destaca.
O BB criou um canal exclusivo de atendimento para pessoas físicas (0800 729 5282) e para empresas (0800 729 5281). A Central funciona de segunda a sexta, de 8h às 22h.

 

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