Minha Casa, Minha Vida impulsiona mercado imobiliário no Grande Recife em 2026
Levantamento da Ademi-PE mostra crescimento das vendas, valorização dos imóveis e protagonismo do programa habitacional nos lançamentos do Recife e Região Metropolitana no primeiro trimestre do ano
O mercado imobiliário residencial vertical do Recife e da Região Metropolitana iniciou 2026 em ritmo acelerado e com uma mudança significativa no perfil dos empreendimentos lançados. É o que aponta o levantamento da Brain Inteligência Estratégica, encomendado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), cujos dados consolidados do primeiro trimestre foram apresentados nesta terça-feira (26).
O estudo mostra que o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) assumiu protagonismo absoluto no mercado pernambucano, impulsionado pelas novas regras e faixas de renda estabelecidas pelo Governo Federal. O movimento vem reconfigurando tanto os lançamentos imobiliários quanto o comportamento de consumo da população.
As moradias enquadradas no Minha Casa, Minha Vida representaram 84,7% de todas as unidades lançadas no Recife e na Região Metropolitana, percentual superior aos 64,6% registrados no mesmo período do ano passado. O segmento de Médio Padrão respondeu por 13,9% dos lançamentos, enquanto o mercado de luxo ampliou participação no estoque ativo, passando de 0,9% para 4,1%, indicando reaquecimento do setor premium. Já os imóveis compactos representaram apenas 0,5% dos novos estoques.
O predomínio do MCMV também impactou diretamente o perfil dos imóveis ofertados. Os apartamentos de dois dormitórios concentraram 83,5% dos lançamentos do trimestre, ante 74,7% registrados no primeiro trimestre de 2025.
Segundo Lucas Finoti, sócio e especialista em Inteligência de Mercado da Brain Inteligência Estratégica, o crescimento do mercado vertical na Região Metropolitana vem sendo sustentado quase integralmente pelo programa habitacional federal.
“Quando a gente olha para a Região Metropolitana, essa curva de crescimento de produtos verticais é basicamente sustentada quase que integralmente pelo Minha Casa, Minha Vida. São 1.905 unidades lançadas e praticamente todas enquadradas no programa. Nos trimestres anteriores, essa curva também já vinha muito próxima disso”, afirmou.
Lançamentos
No primeiro trimestre do ano, Recife registrou o lançamento de oito novos empreendimentos, mantendo o mesmo patamar do mesmo período de 2025. Já os municípios da Região Metropolitana apresentaram crescimento de 50%, passando de seis para nove projetos lançados.
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Em número de unidades, o Grande Recife contabilizou 1.905 imóveis verticais lançados na Região Metropolitana, alta de 67% na comparação anual. Na capital pernambucana, por outro lado, houve retração de 21%, com 1.142 unidades lançadas no trimestre. Apesar disso, Recife mantém um ritmo robusto de renovação urbana, acumulando 7.260 unidades lançadas nos últimos 12 meses.
Segundo o presidente da Ademi-PE, Leonardo Queiroz, os dados apresentados demonstram um cenário de crescimento equilibrado e sustentável para o setor imobiliário pernambucano.
“Vemos hoje a apresentação da pesquisa realizada pela Brain mostrando um mercado estável em Pernambuco, com evolução crescente tanto na oferta e nos lançamentos quanto na demanda e nas vendas, tudo isso de forma equilibrada. Tivemos uma evolução de preços de 5,1% nos últimos 12 meses, compatível com a inflação do mercado brasileiro de forma geral. Então, vemos um mercado crescente, mas crescendo de forma segura e estável, o que traz tranquilidade tanto para quem compra quanto para quem vende”, destacou.
Vendas aquecidas
Apesar da descentralização dos lançamentos para cidades do entorno, Recife segue liderando a movimentação financeira do setor. A capital registrou 1.388 unidades vendidas no primeiro trimestre, crescimento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado. O Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 628 milhões entre janeiro e março, avanço de 51%.
Na Região Metropolitana, as vendas somaram 1.742 unidades, com leve retração de 8%, mas o mercado permanece em patamar considerado estável. Nos últimos 12 meses, o Grande Recife acumulou 12.252 imóveis comercializados, movimentando cerca de R$ 6 bilhões em VGV.
Mesmo com menos lançamentos, o segmento de Médio Padrão ganhou espaço nas vendas, passando de 24% para 29,3% do total comercializado, demonstrando absorção do estoque remanescente.
Valorização
A demanda aquecida contribuiu para manter o preço do metro quadrado em alta no Recife. O valor médio do metro quadrado privativo fechou o trimestre em R$ 11.215.
Os imóveis de um dormitório seguem com o maior valor por metro quadrado, cotados a R$ 15.648/m², impulsionados pela alta liquidez e pelo interesse de investidores. Os apartamentos de dois quartos registraram média de R$ 9.295/m²; os de três quartos, R$ 11.442/m²; e os de quatro dormitórios, R$ 12.975/m².
Descentralização
No panorama geográfico dos lançamentos, São Lourenço da Mata liderou o volume de novas unidades, concentrando 36% dos empreendimentos do trimestre, impulsionado principalmente pelo Minha Casa, Minha Vida. Paulista apareceu na sequência, com 28,2%, enquanto Recife respondeu por 25,4%.
Dentro da capital pernambucana, os bairros com maior concentração de lançamentos foram Caxangá, com 39,9% do total, seguido por Paissandu (22%), Boa Viagem (19,3%) e Parnamirim (15,4%).
Já no comportamento de compra, Recife concentrou 58,8% de todas as vendas realizadas na Região Metropolitana no trimestre. Paulista ficou na segunda posição, com 18%. Entre os bairros recifenses, Imbiribeira liderou as vendas, com 26,8% do total, seguida pela Várzea (20,9%) e Vasco da Gama (20,5%).

