Pandemia

Ministério do Trabalho abre apuração após casos da Covid-19 em frigoríficos do Mato Grosso

Empresas não estariam fornecendo EPIs adequados e nem afastaram funcionários

Funcionários de frigoríficos estão mais expostos aos riscos de contaminaçãoFuncionários de frigoríficos estão mais expostos aos riscos de contaminação - Foto: Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) continua a ofensiva para controlar casos do novo coronavírus em frigoríficos. Em Mato Grosso, o órgão anunciou apuração em dez plantas após registros de infecção. A entidade informou que, segundo as empresas e órgãos da vigilância sanitária, há casos da Covid-19 em oito unidades da JBS no estado e em duas plantas da Vale Grande. 

Já o frigorífico Agra Agroindústria de Alimentos confirmou 105 registros do novo coronavírus após interdição da vigilância sanitária, em junho, que levou a uma testagem em massa. A JBS, que possui dez unidades e cerca de 11 mil empregados no estado, informou ao MPT 41 casos confirmados e 128 suspeitos. Ao menos 14 dos casos confirmados são da unidade de Barra do Garças.

A Vale Grande, com três plantas no estado, registrou sete casos da Covid-19 em Sinop e Matupá. O MPT afirmou que a empresa não informou se houve afastamento de trabalhadores. O MPT chegou ao levantamento após passar a solicitar informações dos frigoríficos sobre as medidas adotadas para mitigar os impactos da pandemia.

O órgão afirma que, em geral, as plantas seguem um padrão protetivo "inferior" e levam em consideração só uma portaria federal que vem sendo atacada pela entidade. O documento diverge, em alguns pontos, das referências técnicas nacionais e internacionais apresentadas pelo MPT e que vêm sendo objeto de termos de ajustamento de conduta e de acordos judiciais.

Os problemas apontados envolvem a testagem de empregados pelas empresas e ausência de previsão de afastamento de quem teve contato com casos suspeitos. Para o procurador Bruno Choairy, as listas de trabalhadores afastados após terem contato com casos suspeitos são pouco críveis por apresentarem números baixos. "Essa conduta potencializa a transmissão na unidade", diz.

Ele cita como exemplo os números da JBS. Na unidade de Barra do Garças, com 14 infectados e 59 suspeitos, apenas seis trabalhadores teriam sido afastados por terem contato com os casos em investigação. Em Pedra Preta - 54 casos suspeitos e quatro confirmados -, só sete empregados foram afastados.

O MPT aponta ainda que os frigoríficos não comprovaram exigências como o fornecimento de máscaras no padrão ABNT e proteção respiratória mais robusta quando não for possível o distanciamento de um metro entre empregados. A JBS não quis comentar o caso, mas disse adotar um protocolo robusto de controle, prevenção e segurança em todas as suas unidades.

O frigorífico Agra não retornou. O MPT instaurou inquérito civil contra a empresa, que informou ao órgão que suas as medidas de vigilância são aprimoradas diariamente. A Vale Grande também não retornou o contato da reportagem.

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