Ministro Bezerra Coelho descarta privatização da Chesf

Agora, as atenções estão voltadas para as chuvas na bacia do rio São Francisco e para a volta da bandeira verde, que deve acontecer nos próximos meses.

Senador Armando Monteiro Neto (PTB)Senador Armando Monteiro Neto (PTB) - Foto: Ana Luisa Souza/Divulgação

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, conversou com a Folha de Pernambuco sobre os principais temas que atingem o setor elétrico nacional. A crítica situação das contas da Eletrobras, a aposta do Governo Federal em fontes renováveis e a delicada situação hídrica de Sobradinho, principal reservatório para geração de energia do Nordeste, foram alguns dos destaques.

Seis meses depois de tomar posse, escolhido pelo presidente da República Michel Temer, Coelho Filho tem como maiores desafios a transparência junto aos agentes do setor energético-mineral e a redução dos subsídios para evitar que distorções ocorram na conta de luz do consumidor. Agora, as atenções estão voltadas para as chuvas na bacia do rio São Francisco e para a volta da bandeira verde, que deve acontecer nos próximos meses.

O senhor tem dito que a situação da Eletrobras e, consequentemente, das suas subsidiárias está insustentável. Sob o argumento de minimizar os impactos nas contas das empresas, abriu-se caminho para a privatização de algumas distribuidoras do Norte e Nordes­­­­te. Qual a solução para a Chesf?

Não tem saída para uma só empresa, tem saída para o grupo Eletrobras como um todo. As distribuidoras vão ser privatizadas (duas do Nordeste e quatro do Norte) porque são mal geridas nas mãos da Eletrobras. Visitamos recentemente uma distribuidora privada no Nordeste, cujo índice de perda (financeira) está em 12%, aproximadamente. Uma distribuidora do Norte nas mãos da Eletrobras tem 98% de perda. Não dá para competir num mundo como esse. É ruim para a Eletrobras e uma covardia com a população que não tem serviço de qualidade. Por isso, tomamos a decisão de vender as distribuidoras. 

Evidentemente que estamos acompanhando as dificuldades da holding e, consequentemente, da Chesf, que tem cem obras e apenas dez estão em andamento. Como vamos resolver isso? Cortando custos e despesas, e isso já vem sendo feito. Além disso, outras medidas serão anunciadas durante o Plano Estratégico da Eletrobras para os próximos anos. E se, mais alguma medida precisar ser tomada ao longo desse tempo, o conselho vai fazer. Privatização da Eletrobras? Da Chesf? De Furnas? Não sei de onde tiraram essa ideia. O que existe é a venda de alguns ativos para fazer frente às o­bri­­­gações das empresas.

Algumas mudanças foram feitas no Ministério de Minas e Energia pelo novo governo, a começar pela sua nomeação. Mais alguma a ser feita?

Sempre pode ter mudança no processo de formatação da equipe (Furnas, Chesf). Mas o que posso garantir é que, se não foi feito antes, é porque quem está à frente das posições tem qualificação técnica independentemente do governo. Agora, de que não vai ter mais mudança, não posso assumir esse compromisso. A expectativa é que a gente possa ter gente ao nosso lado dando conta do desafio que demanda o setor elétrico.

O que o senhor pensa a respeito das fontes renováveis? Qual a participação de Pernambuco nesse mercado e de que forma pretende ajudar o Estado a despontar nas fontes alternativas de energia?

Temos uma vocação inquestionável. O Brasil é signatário do acordo de Paris, se comprometendo em aumentar as fontes renováveis para além da hidrelétrica. Vamos continuar comprando energias solar e eólica, porque temos potencial comprovado. Com Pernambuco não é diferente. Novas fronteiras de ventos estão sendo estudadas no limite com a Paraíba, na Serra do Araripe e na divisa com a Bahia e Alagoas. Ou seja, tudo se configura para sermos vencedores em grandes projetos.

O Nordeste caminha para o sexto ano consecutivo de seca, tendo, no ano passado, Sobradinho enfrentado um dos seus piores cenários hídricos, chegando a 1% da sua capacidade total. Este ano, a mesma coisa. Se não chover, quais medidas emergenciais serão tomadas?

As medidas para evitar o colapso estão sendo tomadas, porque o reservatório está numa situação muito crítica. Estamos abaixo de 20% e a expectativa é chegar ao fim do ano próximo a zero. O que posso dizer é que, independentemente de quanto de chuva vai cair, não teremos desabastecimento de energia. A redução de Sobradinho foi autorizada pelo Ibama e ANA, e a Chesf está providenciando isso. Nós temos energia suficiente para suprir a geração que Sobradinho poderia gerar. O que na verda­­­de sempre pesa é o custo des­­­­sa geração (térmicas a diesel). No entanto, risco de apagão não existe.

 

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