Motor 1.0 turbinado cai no gosto

Montadoras têm investido cada vez mais em turbinar motores 1.0, que passam a andar como um 1.8, porém com menor consumo

Atualmente com capacidade para 3.500 pessoasAtualmente com capacidade para 3.500 pessoas - Foto: Divulgação

 

O desejo de ter um carro mais possante tem ficado mais próximo de ser realizado pelos brasileiros. É que o motor com utilização de turbina está aparecendo em um número maior de veículos fabricados no Brasil. Para o professor do departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Figueiredo, a medida tem sido adotada pelas montadoras para dar mais potência aos propulsores 1.0 a preço e consumo menores dos que os registrados nos 2.0.
“No motor comum, ele é quem faz a sucção do ar. Já com a turbina, esta coloca mais ar dentro do pistão e força a entrada de mais combustível, provando uma explosão mais forte, aumentando a potência”, explica o professor. “A vantagem é que você tem um motor de mil cilindradas com desempenho de motor 1.8. A desvantagem é que o consumo também aumenta, mas não chega ao nível do consumo dos motores 2.0”, acrescenta.
O primeiro motor de mil cilindradas que apareceu turbinado saindo de uma fábrica brasileira foi o Volkswagen Up! TSI, em julho de 2015, flex, com três cilindros e potência de 105 cavalos quando abastecido com etanol. Depois surgiu o HB20, em abril deste ano, com as mesmas características. A diferença entre eles é que o propulsor da marca coreana tem o torque menor (15 kgfm com etanol e 13,8 kgfm com gasolina), enquanto que o da marca alemã tem 16,7 kgfm para ambos os combustíveis. Isso porque a montadora da Coreia do Sul manteve a partida auxiliar a gasolina em dias frios.

Depois desses, em julho, surgiu o Ecoboost, da Ford, inserido no Fiesta 1.0 três cilindros. Neste caso, o motor não é flex, e a potência chega a 125 cavalos. O propulsor equipa a versão com câmbio automatizado Powershift. Informações não confirmadas pela montadora norte-americana dão conta que o Focus receberá o equipamento em breve, assim como a Volkswagen deve fazer com o Golf. O primeiro automóvel produzido em grande escala com a tecnologia turbo foi o Chevrolet Corvair, em 1965.

No Brasil, o primeiro modelo nacional foi o Fiat Uno Turbo, lançado em 1994, que andava com o motor 1.4 e tinha potência de 118 cavalos. A montadora italiana ainda inseriu o equipamento no Tempra Turbo 2.0 em 1995, no Marea 2.0 Turbo em 1998 e no Punto T-Jet 1.4 Turbo, de 2009 até o modelo 2016.
A própria VW já havia produzido, no fim da década de 1990, o Golf com motor 1.8 Turbo de 150 cavalos, o mesmo que equipava o Audi A3. Em 2002, o mesmo motor teve a potência elevada para 180 cavalos. No ano seguinte, foi a vez do Gol e da Parati Geração 3, que tiveram o 1.0 Turbo, mas estes foram tirados de linha. Há a expectativa que a Fiat lance o seu mil cilindradas turbinado para competir com as rivais mais próximas.

 

Veja também

Emprego na construção é o maior para setembro nos últimos oito anos
Economia

Emprego na construção é o maior para setembro nos últimos oito anos

Plataforma digital vai gerar 1 milhão de oportunidades para jovens
Desemprego

Plataforma digital vai gerar 1 milhão de oportunidades para jovens