Motta minimiza aprovação de projeto alternativo de IR no Senado e confirma votação na próxima semana
Presidente da Casa reafirmou que análise da proposta não está vinculada à aprovação de anistia do 8 de janeiro
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), minimizou nesta quinta-feira a aprovação, pelo Senado, de um projeto alternativo para ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda.
Motta reforçou que a proposta sobre o mesmo tema que tramita na Câmara será votada na próxima quarta-feira e disse que a Casa “tem seu tempo” para amadurecer o debate.
— A Câmara tem o seu tempo para amadurecer as matérias. A Câmara fez este debate e o relatório foi aprovado por unanimidade. Nessa discussão, entendemos que a matéria agora está madura e vai ao plenário na quarta-feira. Essa construção foi bem feita e não tenho dúvidas de que vamos votar — afirmou, em entrevista ao videocast MeConta+, da TV Câmara.
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Pouco antes da entrevista, em plenário, ele reafirmou que a votação do IR não está vinculada ao projeto sobre a anistia aos envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro.
— Não há vinculação da matéria do imposto de renda com qualquer outra matéria. Foi uma associação feita de maneira incorreta e temos a tranquilidade de anunciar que a Casa vai votar na próxima quarta-feira a isenção do imposto de renda — disse, em resposta a uma declaração do relator da anistia, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que havia sugerido isso.
As falas ocorrem um dia depois de o Senado aprovar um texto de Renan Calheiros (MDB-AL), adversário histórico do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), relator da isenção do IR na Câmara. A votação foi interpretada nos bastidores como gesto político, numa tentativa de marcar posição diante de uma demora da Câmara na condução do tema.
Na terça-feira, Lira havia antecipado que não daria espaço para iniciativas paralelas.
— O presidente Hugo Motta também salientou que não apreciará nenhum outro projeto que não seja o enviado pelo governo — disse, em recado que mirava diretamente a movimentação do Senado.
Nos bastidores, deputados aliados de Motta avaliam que a votação no Senado serviu mais como sinalização política do que como ameaça concreta. Arthur Lira já costurou acordo com o governo e líderes partidários para levar o texto a plenário na próxima semana, após semanas de impasse. A urgência foi aprovada no final de agosto.
A proposta é considerada uma das principais entregas da gestão Lula neste ano e uma promessa de campanha do presidente.
A proposta favorece cerca de 10 milhões de pessoas, que ficariam isentos a partir da nova regra. O objetivo do Palácio do Planalto é que o texto seja aprovado ainda este ano, para que possa valer já na declaração de 2026.

