A conta da guerra já chegou e quem paga é você
A leitura predominante no mercado é que os efeitos iniciais da guerra já estão parcialmente incorporados aos preços
Diversos economistas concordam que mesmo com uma trégua, a guerra entre EUA, Israel e Irã já provocou danos de longo prazo, redesenhando o cenário de inflação global e impondo novos desafios à política monetária de vários países.
A leitura predominante no mercado é que os efeitos iniciais da guerra já estão parcialmente incorporados aos preços. O barril do petróleo, que chegou a se aproximar de US$ 120, recuou e vem operando em patamar inferior, enquanto o mercado futuro projeta valores entre US$ 80 e US$ 85 ao longo do ano. Ainda assim, esse nível permanece acima do período pré-conflito, o que indica pressão inflacionária persistente.
Na avaliação do economista-chefe do Banco do Nordeste, Rogério Sobreira, em um cenário extremo, com a guerra indo à fase três e o barril alcançando US$ 200, estimativas de mercado apontam que a inflação brasileira poderia subir para algo entre 6,5% e 7%, o que exigiria uma mudança significativa na condução dos juros.
Rogério Sobreira ressalta que dados dos choques do petróleo dos anos 1970 ajudam a dimensionar esse risco. Naquele período, dois episódios marcaram a economia global. No primeiro choque, entre 1973 e 1974, a inflação nos Estados Unidos saltou de 6,2% para 11,1%. No segundo, entre 1979 e 1980, atingiu o pico de 13,5%. Em ambos os casos, o aumento abrupto do preço do petróleo contaminou toda a estrutura de custos da economia.
A resposta veio via política monetária. Para conter a inflação, o Federal Reserve elevou agressivamente os juros norte-americanos, que chegaram a 19,1% em 1981. O efeito colateral foi imediato: retração econômica. O PIB americano entrou em recessão em dois momentos — em 1974/75 e novamente em 1982 — evidenciando o custo de combater uma inflação alimentada por choques de oferta.
Esse episódio consolidou o conceito de estagflação, a combinação de inflação alta com baixo crescimento, palavra que volta ao vocabulário atual diante do conflito no Oriente Médio.
Embora o economista do BNB tenha opinião de que o cenário da guerra não deve evoluir para a fase três, os danos à infraestrutura energética tendem a manter os preços elevados por mais tempo. E é esse fator — o tempo — que altera a dinâmica inflacionária.
Preço ao longo do tempo
No primeiro choque do petróleo, entre 1973 e 1974, o preço do barril saltou de cerca de US$ 2,9 para até US$ 12, uma alta superior a 300%. No segundo, entre 1979 e 1980, avançou de US$ 14 para cerca de US$ 35 a US$ 39, com elevação próxima de 180%. Preços bem diferentes do atual.
Aposto do mercado
A expectativa central é de que o conflito no Oriente Médio se prolongue por alguns meses. Na semana passada, 80% do mercado apontava que a guerra iria se estender até junho, segundo PolyMarket, plataforma onde usuários apostam dinheiro real em eventos futuros, como eleições, inflação, decisões de juros ou conflitos geopolíticos. A ferramenta traduz a expectativas dos mercados. Ontem, o índice havia caído para 61%.
Suape recebe belgas
A agenda internacional de Pernambuco avança nesta segunda-feira (30) com a visita de representantes do Porto de Antuérpia-Bruges ao Complexo Industrial Portuário de Suape. A comitiva é liderada pelo CEO Kristof Waterschoot, em um movimento que reforça o posicionamento do porto pernambucano no radar de grandes hubs logísticos globais. A recepção será conduzida pelo diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, e integra a estratégia de fortalecimento das relações institucionais e de aproximação técnica com o complexo portuário europeu, o segundo maior da Europa.
Advogado em SP
A capital paulista tornou-se a segunda filial da banca Robson Menezes Advocacia, que já possui atuação nacional e estrutura física em Recife e Maceió. A unidade paulista mantém as frentes estratégicas do escritório, com atuação nas áreas bancária, autismo e saúde.
Missão na China
O empresário Gildo Neves participa da MIECF 2026, na China, liderando a delegação brasileira na 10ª Missão China Teleport. O grupo foi recebido por autoridades de alto escalão de Macau e Guangdong, reforçando a agenda institucional. O estande pernambucano foi um dos maiores entre os países participantes, com 56 metros.

