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Coluna Movimento Econômico

Com vinho, azeite e tecnologia, Portugal atrai R$ 4,2 milhões de euros de brasileiros

Apesar da força do agroalimentar, o perfil do investimento brasileiro em Portugal começa a mudar

O vinho está entre os ícones de PortugalO vinho está entre os ícones de Portugal - Foto: Imagem de

Os produtos mais icônicos de Portugal são, sem dúvida, os vinhos e os azeites, embora os pastéis de nata, as sardinhas enlatadas, os queijos da Serra da Estrela e até mesmo o bacalhau  - que nem é pescado no país - possam entrar na lista. 
Mas os números compram o que digo. Em 2024, os brasileiros compraram 441 milhões de euros em azeite e 85 milhões de euros em vinho de Portugal. O Brasil é hoje o segundo maior mercado para o azeite português e o terceiro maior destino das exportações de vinho, segundo dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral de Portugal.

No entanto, apesar da força do agroalimentar, o perfil do investimento brasileiro em Portugal começa a mudar. De acordo com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), a direção dos aportes está se deslocando para setores de maior valor agregado. Enquanto grupos portugueses continuam a investir fortemente no turismo brasileiro — caso de Vila Galé e Tivoli Hotels & Resorts — os empresários brasileiros direcionam cada vez mais recursos para outras direções.

O presidente da CCILB, Otacílio Soares, diz que as maiores oportunidades em Portugal estão na área da tecnologia, seguida pela industrial Ele destaca que investidores brasileiros têm utilizado país como hub de entrada no mercado europeu.

Um exemplo concreto dessa estratégia é o ecossistema digital do Recife, que nós conhecemos como Porto Digital. Instalado há pouco mais de um ano na cidade portuguesa de Aveiro, o Porto Digital Europa tem servido exatamente para que as empresas brasileiras de base tecnológica utilizem Portugal como plataforma para expansão no mercado da União Europeia. 

Dados do Banco de Portugal mostram que o estoque de investimento direto do Brasil em Portugal atingiu 4.212 milhões de euros no terceiro trimestre de 2025. 

Estar em território português funciona, na prática, como etapa de adaptação às normas e exigências regulatórias europeias.
No sentido inverso, temos visto portugueses investindo nos setores agroalimentar, de energia, serviços e infraestrutura. A Mota-Engil, por exemplo, está prestes a assumir um megaprojeto de mineração na Bahia. A empresa também está à frente da maior parceria público-privada já realizada no Brasil: o túnel imerso que ligará Santos a Guarujá, em São Paulo.

Compreender melhor a economia portuguesa torna-se, portanto, estratégico para empresários brasileiros. Regiões como Leiria, fortemente industrializadas, oferecem oportunidades em cadeias produtivas integradas. Para empresas do Nordeste brasileiro, a conexão logística via Suape, com menor distância relativa em comparação a Santos, pode representar vantagem competitiva adicional.Neste sentido, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode ajudar a dar mais musculatura e essa integração econômica e reduzir a dependência de outros grandes mercados globais. O eixo luso-brasileiro entra, assim, numa nova fase: menos centrada em ativos tradicionais e cada vez mais orientada para a nova economia.

Retrofit 
O Shopping Guararapes iniciou as obras de retrofit da Praça de Alimentação, uma das áreas de maior fluxo do empreendimento. Com aporte inicial de R$ 15 milhões, a intervenção faz parte do plano de modernização do centro de compras e deve ter a área de circulação concluída até outubro deste ano. O cronograma foi estruturado em etapas para que os serviços ocorram sem interromper as operações da praça nem comprometer a experiência dos clientes.

Birdwatching
Em abril, Pernambuco sediará o Avistasse?! – I Congresso Pernambucano de Observação de Aves. O evento acontecerá nos dias 17, 18 e 19 e reunirá observadores, pesquisadores, gestores públicos e operadores turísticos de diferentes regiões do país. À frente da organização, Ludmila Portela, diretora da Aviva Ecoatividades, diz que o birdwatching — como é chamado esse tipo de turismo — cresce de forma acelerada no Brasil e no mundo.

Nestlé recua
A decisão da Nestlé de vender sua divisão de sorvetes faz parte de uma reestruturação global, mas não indica retração do mercado no Brasil, especialmente no Nordeste. Essa é a visão o CEO da Frosty,  Edgard Filipe Segantini. Para ele o setor segue dinâmico e competitivo e o movimento da Nestlé pode ampliar o espaço para marcas regionais, que têm maior proximidade com o consumidor e agilidade operacional em um país de dimensões continentais.
 

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