Sex, 13 de Março

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Coluna Movimento Econômico

Entre o legal e o imoral: o STF traça um limite

A iniciativa é de Flávio Dino e vem após sucessivas exposições negativas na mídia do STF e questionamentos sobre decisões anteriores da Corte

Flávio Dino, ministro do STFFlávio Dino, ministro do STF - Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Ao determinar que todos os Poderes da República e órgãos autônomos façam, em até 60 dias, um levantamento detalhado das verbas que permitem o pagamento acima do teto constitucional, o ministro Flávio Dino parte de um argumento simples — e juridicamente robusto: o artigo 37 da Constituição está sendo sistematicamente esvaziado por práticas administrativas que transformaram exceções em regra.

Criado para estabelecer um limite objetivo à remuneração estatal, o teto do funcionalismo passou a ser contornado por meio de parcelas classificadas como indenizatórias, auxílios e vantagens eventuais que, na prática, possuem caráter permanente.

O teto atual de R$ 46.366,19 corresponde a 28,6 salários mínimos. Apesar disso, há registros de servidores recebendo até R$ 77 mil mensais com base em adicionais que nem sempre têm amparo legal ou estão respaldados por resoluções internas pouco transparentes.

Na decisão do ministro, diversos benefícios foram classificados como incompatíveis com o princípio da moralidade administrativa, a exemplo dos chamados “auxílio-peru” e “auxílio-panetone”, pagos tradicionalmente no fim do ano, sem amparo legal claro, e utilizados como gratificações disfarçadas. Outro caso emblemático é a licença compensatória que prevê um dia de folga para cada três trabalhados.

Para Dino — e para milhões de brasileiros — esse conjunto de mecanismos representa uma “afronta ao decoro público” e uma violação sistemática ao teto remuneratório previsto no artigo 37 da Constituição. E essa distorção não é episódica, mas estrutural e generalizada.

O ministro reconhece que o Poder Judiciário não pode, por decisão individual, suprimir direitos previstos em lei nem promover cortes automáticos. Por isso, ele não extingue os penduricalhos nem declara sua ilegalidade de forma genérica. O que faz é exigir um diagnóstico completo, dentro de um prazo razoável, para permitir que os próprios órgãos se ajustem e para que o Legislativo, se provocado, possa rever a legislação — o que é pouco provável.

A permanência sem questionamentos desses mecanismos cria uma cultura administrativa em que o teto é visto como ficção jurídica, e não como limite real. O que compromete a credibilidade do Estado e aprofunda a distância entre o serviço público e a sociedade, especialmente em um país marcado por desigualdade extrema.

O ministro fundamenta a medida na ideia de que legalidade não se esgota na existência de uma norma formal. A Constituição exige compatibilidade entre forma, finalidade e princípios. Mesmo verbas legalmente previstas precisam ser examinadas à luz da moralidade administrativa e da função constitucional do teto remuneratório.

A iniciativa de Dino vem após sucessivas exposições negativas na mídia do STF e questionamentos sobre decisões anteriores da Corte, inclusive críticas relacionadas à blindagem de interesses financeiros, como no episódio envolvendo o Banco Master. Ações como essas podem contribuir para restaurar a confiança social em seu papel de guardião da Constituição.

Expo

Empresários, investidores e representantes institucionais já podem se inscrever na Expo Renováveis 2026, que será realizada de 3 a 5 de março, no Bairro do Recife - Cais do Sertão. O evento apresenta soluções, debates e tendências voltadas ao futuro da energia limpa.

Atitude Pernambuco

A Associação Atitude Pernambuco celebra o lançamento do edital de licitação para o tão aguardado viaduto no gargalo viário da Vitarella, localizado na BR-101 Sul, publicado ontem (6) no Diário Oficial da União, pelo Ministério dos Transportes. O projeto contou com o apoio direto da entidade e de empresários da região, por meio do custeio do projeto técnico da obra, entregue oficialmente ao Governo do Estado em dezembro de 2024.

Fecomércio-PE

Estudo da Fecomércio-PE estima impacto direto de R$ 141,8 milhões em mercadorias durante os quatro dias de festa, mesmo em cenário de maior restrição ao consumo.

Repugnante

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a tensionar o debate público ao compartilhar, em sua rede social Truth Social, um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) em que Barack e Michelle Obama aparecem, por breves segundos, com os rostos sobrepostos a corpos de macacos. A montagem resgata conspirações da ala MAGA — movimento que sustenta a tese de fraude nas eleições presidenciais de 2020 — e foi amplamente condenada por lideranças democratas, que denunciaram o teor racista do conteúdo.

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