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Coluna Movimento Econômico

Inadimplência no aluguel recua, mas inflação e juros são ameaça

Os imóveis de alto padrão (aluguel acima de R$ 13 mil) registraram queda de 6,63% para 6,37%

Inadimplência no aluguel recua no Brasil, mas segue forte no NordesteInadimplência no aluguel recua no Brasil, mas segue forte no Nordeste - Foto: Pixabay

A inadimplência no aluguel no Brasil caiu para 3,69% em novembro, atingindo o menor nível dos últimos cinco meses, segundo dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica. Segundo essa plataforma de soluções tecnológicas para o mercado imobiliário, em outubro, a taxa estava em 3,76%. Apesar da melhora no curto prazo, o índice ainda está acima do registrado no mesmo período de 2024, quando a inadimplência era de 3,20%.

Entre as regiões do país, o Nordeste ainda apresenta a maior taxa de inadimplência, com 5,23% em novembro. Apesar disso, houve forte queda em relação a outubro, quando o índice era de 6,84%. O Norte manteve o segundo lugar com 4,45%, seguido pelo Centro-Oeste, com 3,38%. O Sudeste permaneceu estável em 3,40%, enquanto o Sul continua com a menor inadimplência do país: 2,96%.

Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, a redução sinaliza uma tendência positiva para 2026. A queda de novembro traz um respiro após cinco meses de altas taxas. Mas é preciso estar alerta para a influência da inflação e dos juros sobre a capacidade de pagamento dos inquilinos.

Entre os imóveis residenciais, a inadimplência foi maior na faixa de aluguel até R$ 1.000, que subiu de 6,03% em outubro para 6,26% em novembro. Já os imóveis de alto padrão (aluguel acima de R$ 13 mil) registraram queda de 6,63% para 6,37%. As menores taxas foram encontradas nas faixas entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com inadimplência de 1,95% e 1,97%, respectivamente.

No segmento comercial, imóveis com aluguel até R$ 1.000 continuam liderando a inadimplência, com taxa de 9,57% em novembro – praticamente estável frente aos 9,56% de outubro. A faixa acima de R$ 13 mil aparece em segundo lugar, com 5,91%, enquanto os imóveis entre R$ 5 mil e R$ 8 mil apresentaram a menor inadimplência: 4,25%.
Quanto ao tipo de imóvel, apartamentos registraram recuo na inadimplência, de 2,49% para 2,39%. Já nas casas, houve aumento de 3,74% para 3,93%. Imóveis comerciais também tiveram melhora, com redução de 5,45% para 5,22%.

Sonho da casa própria
Apesar do avanço do aluguel nas grandes cidades e das barreiras econômicas, 95% dos jovens brasileiros ainda sonham com a casa própria na terceira idade. O dado é de estudo da PUCPR com apoio da Capes e CNPq, que revela que o aluguel é visto como solução temporária, não como escolha de estilo de vida. O desejo é ainda mais forte entre as gerações Y e Z, chegando a 94,6%.

Jovens preferem casa
Aspirando mais liberdade e mobilidade, as gerações Y e Z não rejeitam o sonho da casa própria. Segundo pesquisa da PUCPR, 75% dos jovens da geração Z e 58,1% dos millennials (Y) preferem viver em casas, enquanto gerações mais velhas, como X e Boomers, demonstram maior adesão a apartamentos. A escolha está ligada à fase de vida e à experiência acumulada com diferentes tipos de moradia.

Três perfis, um desejo
Estudo da PUCPR identificou três perfis de aspirações habitacionais no Brasil: tradicional (Boomers), pragmático (Geração X) e flexível (Gerações Y e Z). Mesmo com visões distintas sobre posse, valorização e liberdade, os três grupos mantêm um ponto em comum: o desejo de ter um imóvel próprio no futuro. A pesquisa foi publicada no International Journal of Urban and Regional Research.

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