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Itamaracá pede um recomeço, mas com planejamento

O sucesso da iniciativa dependerá do respeito ao Plano Diretor de Itamaracá, que está defasado - sem revisão há décadas

A Ilha de Itamaracá já foi a joia do turismo pernambucanoA Ilha de Itamaracá já foi a joia do turismo pernambucano - Foto Kesia Veiga/Pinterest

O novo edital lançado pelo Governo de Pernambuco para atrair estudos de viabilidade para a Ilha de Itamaracá acende uma esperança - e um alerta O território em questão abrange 1.200 hectares, quase 40% da ilha, e inclui áreas icônicas e abandonadas, como a antiga Barreto Campelo, o antigo manicômio e a Agrovila Penitenciária Agroindustrial São João, ainda em funcionamento, mas que será em breve desativada. Trata-se, portanto, de uma rara oportunidade de requalificação territorial com peso estratégico no turismo regional.

Itamaracá já foi a joia da coroa no turismo de Pernambuco, símbolo de lazer e beleza natural. Mas perdeu espaço para Porto de Galinhas, que cresceu de forma explosiva. O problema é que Porto extrapolou seus limites físicos e sociais: expansão descontrolada, degradação ambiental, precarização de serviços e aumento da violência formam hoje um quadro de saturação turística. Ao mesmo tempo, destinos como Itamaracá foram esquecidos — sem investimentos, sem requalificação, sem política pública.

O edital dá o primeiro passo para reverter esse abandono. Mas a tarefa será árdua. A Ilha está degradada em diversos aspectos: infraestrutura urbana precária, déficit de saneamento, ocupações desordenadas e ausência de conectividade eficiente com a Região Metropolitana. Além disso, é preciso enfrentar o avanço do mar e respeitar áreas sensíveis, como a APA de Santa Cruz.

O sucesso da iniciativa dependerá de respeito ao Plano Diretor da ilha, que está defasado - sem revisão há décadas -, e ao Plano de Manejo da CPRH. Esses instrumentos não podem ser tratados como formalidades. São eles que darão o mínimo de coerência entre conservação ambiental e exploração turística sustentável. A proposta do edital em vincular os projetos a empreendimentos de baixa e média densidade é um acerto — resorts, condomínios, marinas e parques de visitação podem conviver com a vocação natural da ilha, desde que bem planejados.

É preciso aprender com os erros de outros destinos e não repetir modelos esgotados. O turismo do futuro não se sustenta mais no improviso, nem na especulação. Se for bem conduzido, o projeto pode reequilibrar o mapa turístico de Pernambuco, promover desenvolvimento regional e devolver a Itamaracá o papel que perdeu — o de destino de referência no litoral norte. Mas isso só será possível com um esforço coordenado entre Estado, município, investidores e, principalmente, a comunidade local.

Consórcio Nordeste I

O Consórcio Nordeste, presidido pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles, oficializou seu apoio à Alternativa 2 proposta na Consulta Pública nº 045/2025, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que trata da nova metodologia para o rateio dos recursos oriundos da repactuação do Uso de Bem Público (UBP). O posicionamento regional defende que os recursos públicos devem ser direcionados com foco em justiça social e modicidade tarifária, beneficiando diretamente as famílias de menor renda, especialmente no Nordeste.

Consórcio Nordeste II

A Consulta Pública da ANEEL apresenta quatro alternativas para o uso dos recursos do setor elétrico. Os modelos variam entre rateio proporcional ao mercado cativo, compensação de perdas e desconto igualitário. A proposta defendida pelo Nordeste prioriza o perfil social do consumo e busca corrigir distorções históricas no sistema tarifário nacional.

Mesas na orla de BV

A Prefeitura do Recife liberou mesas e cadeiras para os quiosques da beira mar de Boa Viagem. Era um pleito antigo, não só dos comerciantes, mas de moradores e visitantes. Em todo Nordeste é possível encontrar mesas e cadeiras para tomar água de coco na orla, só aqui isso não era permitido. Antes tarde do que nunca.

Mais voos, mais conexões
O ano de 2025 consolidou um marco histórico para a aviação do Nordeste: mais de 771 mil passageiros embarcaram diretamente para o exterior, sem conexões no Sudeste, entre janeiro e novembro. Lisboa lidera o fluxo internacional, concentrando cerca de 40% dos voos. O Recife se destaca como principal hub da região, com rotas regulares para Europa, América do Sul e EUA, e liderando os embarques com 4,45 milhões de passageiros. Fortaleza ampliou a malha com voos diretos para Paris, Madri, Miami e Caiena.

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