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Coluna Movimento Econômico

O Brasil precisa blindar seu mercado financeiro

A decisão liminar do ministro Dino, envolvendo a CVM, talvez seja uma das medidas mais importantes para a proteção dos investidores nos últimos tempos no Brasil

Invetimentos no Brasil sob atenção do STFInvetimentos no Brasil sob atenção do STF - Foto: José Cruz/Agência Brasil

A decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, tomada no último dia 5 de maio, determinando 70% da Taxa de Fiscalização dos Mercados de Títulos e Valores Mobiliários permaneça com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), talvez seja uma das medidas mais importantes dos últimos tempos para a proteção dos investidores brasileiros – embora ainda dependa de confirmação pelo plenário virtual do STF, que analisará o caso entre os dias 15 e 22 de maio. A decisão é extremamente relevante diante da crescente sofisticação do mercado financeiro nacional e dos riscos associados à fragilidade da fiscalização.

O avanço das plataformas digitais, das fintechs, dos ativos eletrônicos e da entrada massiva de pessoas físicas democratizou os investimentos e ampliou a diversidade do sistema financeiro. Ao mesmo tempo, aumentaram a complexidade das operações e os desafios regulatórios.

O problema é que a estrutura da CVM não acompanhou esse crescimento, embora a arrecadação da Taxa de Fiscalização dos Mercados de Títulos e Valores Mobiliários, tenha saltado de R$ 740,9 milhões em 2021 para mais de R$ 1,1 bilhão em 2024. Isso porque cerca de 70% desses recursos vinham sendo absorvidos pelo Tesouro Nacional, deixando a autarquia sob forte restrição orçamentária, mesmo se tratando de uma cobrança criada para financiar a atividade regulatória da CVM.

Na ausência de uma lei que regulamente de forma mais rígida a destinação da taxa, Flávio Dino entendeu que a arrecadação deve permanecer prioritariamente vinculada à autarquia, preservando apenas a possibilidade de incidência da DRU (Desvinculação das Receitas da União), mecanismo constitucional que permite ao governo federal utilizar livremente até 30% dessas receitas, invertendo o cenário.

A “atrofia institucional” e “asfixia orçamentária” da CVM, como citados por Dino na liminar, não são teóricos. Casos recentes, como o do Banco Master, ajudam a dimensionar o tamanho do problema quando a fiscalização não consegue acompanhar adequadamente a expansão e a sofisticação do mercado.

O prejuízo social do caso Master ultrapassa os investidores privados. O episódio atingiu fundos de pensão, regimes próprios de previdência e o BRB, produzindo efeitos potenciais sobre aposentados, servidores públicos e cofres estaduais. As estimativas publicadas apontam para um ressarcimento de aproximadamente R$ 41 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a cerca de 1,6 milhão de credores. Somam-se ainda perdas estimadas em R$ 8 bilhões no BRB e quase R$ 2 bilhões aplicados por regimes próprios de previdência em títulos ligados ao banco.

Mas o efeito mais perigoso talvez seja o dano à confiança no sistema financeiro. Quando fraudes ou problemas dessa dimensão se espalham, cresce a aversão ao risco, aumenta a desconfiança sobre instituições médias e pequenas e o crédito tende a ficar mais caro. Isso impacta empresas, investidores, consumidores e o próprio crescimento econômico.

Por isso, fortalecer a CVM não é apenas uma questão administrativa ou orçamentária. Trata-se de proteger a credibilidade do mercado de capitais brasileiro num momento em que o país tenta ampliar investimentos, atrair capital estrangeiro e consolidar um sistema financeiro mais moderno e diversificado.

Análise Ceplan
O Análise Ceplan 2026 será no dia 28 de maio, às 14h30, no RioMar Trade Center, reunindo lideranças empresariais e especialistas para discutir os desafios e oportunidades da neoindustrialização brasileira no Nordeste. Com o tema “Mercado de Energia, Powershoring e a Neoindustrialização brasileira”, o evento vai abordar transição energética, atração de investimentos, competitividade industrial e desenvolvimento regional. A iniciativa é em parceria com o Movimento Econômico e patrocínio da Caixa e Banco do Nordeste. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pela plataforma Sympla.

Malbec Day
O Consulado da Argentina no Recife, em parceria com a Fecomércio Pernambuco e a ABS-PE, promove nesta terça-feira (12)  o Malbec World Day, evento dedicado à valorização do vinho argentino. A programação contará com masterclass conduzida pelo presidente da ABS-PE, José Roberto Dantas, além de degustação guiada de rótulos Malbec. O encontro será realizado na Casa do Comércio, em Santo Amaro.

Segurança alimentar
O Recife recebe, nos dias 14 e 15 de maio, o II Fórum Norte e Nordeste de Segurança de Alimentos (FONNESA), no Hotel Atlante Plaza. O encontro reunirá especialistas nacionais e internacionais, representantes da indústria e profissionais da cadeia produtiva para discutir temas estratégicos como inteligência artificial, rastreabilidade, sustentabilidade e novas normas globais voltadas à segurança alimentar e proteção do consumidor.

Suape em missão internacional
Representantes do Complexo Industrial Portuário de Suape iniciaram nesta segunda (11) missão técnica no Reino Unido focada em estruturar clusters de hidrogênio verde e tecnologias de captura de carbono. A ação, coordenada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e pelo governo britânico, reúne outros portos estratégicos do Brasil até o dia 15 de maio. Em avaliação, modelos operacionais, financiamento e gestão de risco dentro dos padrões ESG. O objetivo é converter compromissos de descarbonização em ativos portuários viáveis, atraindo investimentos.

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