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O Conselho da Paz de Trump e o paradoxo da guerra permanente

Enquanto se apresenta como mediador de conflitos, Trump declara não se sentir mais "obrigado a pensar puramente na paz"

Donald Trump Donald Trump  - Foto: Imagem gerada por IA/Movimento Econômico

A cada dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece despertar com o objetivo de agitar o cenário internacional por meio de tramas belicosas que impactam diretamente a economia global. Sua mais recente iniciativa, a criação de um Conselho de Paz para Gaza, nasce envolta em contradições que extrapolam a geopolítica tradicional e evidenciam um padrão recorrente de ambiguidade entre discurso e prática.

Enquanto se apresenta como mediador de um dos conflitos mais sensíveis do mundo, Trump declara não se sentir mais "obrigado a pensar puramente na paz" por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. Simultaneamente, volta a exigir controle sobre a Groenlândia, cuja soberania volta a questionar em tom de ameaça estratégica. Como resposta, impôs novas tarifas a países que enviaram tropas à ilha.

A incoerência se agrava com o convite feito ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para integrar o Conselho. Putin lidera a guerra contra a Ucrânia desde 2022 e sua presença em um colegiado criado para supervisionar a reconstrução de Gaza enfraquece, desde a origem, a legitimidade política e moral da iniciativa. As ameaças à Groenlândia, por sua vez, são justificadas por Trump como uma forma de projetar poder militar e reduzir vulnerabilidades diante da crescente influência de Rússia e China.

O desenho do Conselho também levanta dúvidas práticas. Informações preliminares indicam que países interessados em um assento permanente poderão ter de arcar com custos de até US$ 1 bilhão. Até o momento, a Casa Branca não detalhou regras de funcionamento, critérios de decisão, compromissos financeiros nem como o grupo se articulará com instâncias da ONU, acendendo alertas sobre um possível esvaziamento do papel das Nações Unidas na mediação internacional.
Diante desse cenário, o convite ao Brasil vem sendo analisado com cautela pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo brasileiro busca compreender os objetivos, a governança e a composição do Conselho antes de tomar qualquer decisão, além de manter diálogo com países alinhados na defesa de Gaza. A postura ganha ainda mais importância após a assinatura do acordo União EuropeiaMercosul, em um momento em que as novas tarifas impostas por Trump à Europa podem favorecer o bloco sul-americano.

Na semana passada, uma investigação do The New York Times revelou que, após assumir o segundo mandato, Trump passou a estimular agressivamente doações bilionárias para organizações e projetos de seu interesse direto. Quase US$ 2 bilhões foram arrecadados para iniciativas como o salão de baile da Casa Branca, a America250, a MAGA Inc., o Trust for the National Mall, a White House Historical Association e o John F. Kennedy Center.

Entre os principais doadores estão nomes e empresas como a Palantir, que destinou US$ 10 milhões ao salão de baile e US$ 5 milhões à America250. Seu cofundador, Alex Karp, doou US$ 1 milhão ao comitê inaugural e à MAGA Inc. Já a magnata dos cassinos Miriam Adelson prometeu US$ 25 milhões para o mesmo projeto. No total, mais de 346 doadores contribuíram com pelo menos US$ 250 mil cada, muitos deles atuando em setores diretamente afetados por decisões da Casa Branca.

Esse pano de fundo financeiro lança uma sombra adicional sobre o Conselho de Paz. A iniciativa surge não apenas como um instrumento diplomático, mas também como parte de um ecossistema de poder baseado em acesso, influência e financiamento privado, em um momento em que Trump relativiza conceitos como soberania, multilateralismo e mediação institucional.

Ao propor paz em Gaza, ameaçar a Groenlândia e, simultaneamente, ampliar um sistema opaco de arrecadação política, Trump reforça uma marca central de sua trajetória: a de um líder que transforma a política externa em extensão de seus interesses estratégicos, pessoais e financeiros. Para países como o Brasil, decidir participar ou não desse tabuleiro exige mais do que diplomacia exige uma leitura crítica e atenta das contradições que moldam o jogo.

Crédito para construir mais
O mercado imobiliário pernambucano terá acesso, nesta terça-feira (20), aos detalhes do IRCentro, instrumento que transforma investimentos em reformas no Centro do Recife em créditos urbanísticos. O mecanismo será apresentado durante encontro na sede da Ademi-PE, às 12h30, pelos secretários Ana Paula Vilaça (Desenvolvimento Econômico) e Felipe Matos (Gestão Urbana).

Setor têxtil
O NTCPE promove, em janeiro, novos cursos gratuitos para qualificação no setor têxtil. Em Olinda, serão oferecidos "Técnicas de Gestão de Tempo" (22 e 23) e "IA no Marketing de Moda" (27 e 28), no Marco Pernambucano da Moda. Já em Caruaru, o curso será "Acabamento e Limpeza de Peças na Costura Industrial", de 20 a 23. Em 2025, mais de 2.500 pessoas concluíram formações promovidas pela instituição. A iniciativa fortalece a cadeia da moda em Pernambuco.

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