Pernambuco testa primeira térmica a etanol do mundo em Suape
A iniciativa representa uma mudança importante no setor elétrico mundial
Pernambuco será palco dos testes de uma engrenagem que faltava no cenário da descarbonização energética global. Um projeto inovador desenvolvido pela Suape Energia, em parceria com a multinacional finlandesa Wärtsilä, inicia nos próximos dias a fase operacional da primeira termelétrica do mundo movida a etanol.
A iniciativa representa uma mudança importante no setor elétrico mundial, já que apesar do avanço acelerado das fontes renováveis, como solar e eólica, o sistema energético ainda depende das termelétricas para garantir estabilidade no fornecimento de energia. São elas que entram em operação quando há oscilações das renováveis ou risco de déficit energético. O problema é que historicamente cumprem esse papel queimando combustíveis fósseis. O diferencial do projeto pernambucano é justamente substituir o óleo combustível por uma fonte renovável amplamente disponível no Brasil.
Instalado no Complexo Industrial Portuário de Suape, o projeto busca provar que é possível combinar segurança energética, redução de emissões e geração contínua utilizando etanol. A expectativa é que a tecnologia abra caminho para uma nova categoria de térmicas renováveis no país, com potencial de participação em futuros leilões de energia e aplicação em operações que exigem fornecimento ininterrupto, como data centers, mineração de dados, indústrias e estruturas críticas.
A planta piloto terá capacidade aproximada de 4 megawatts e deverá consumir cerca de seis milhões de litros de etanol ao longo de 4 mil horas de testes. O combustível poderá ser fornecido tanto pela Vibra Energia, com quem a Suape Energia mantém negociações avançadas, quanto por usinas do Nordeste interessadas em participar da iniciativa.
O projeto nasceu após executivos da Suape Energia visitarem a Finlândia, em 2024, para conhecer alternativas energéticas de baixo carbono. Durante discussões sobre motores movidos a metanol, amônia e outros combustíveis renováveis surgiu uma provocação simples: por que não utilizar etanol no Brasil, um dos maiores produtores mundiais do biocombustível? A ideia amadureceu rapidamente e acabou transformada numa planta experimental em Pernambuco.
Embora a Wärtsilä já tivesse realizado testes laboratoriais com combustíveis alternativos, nunca havia colocado uma usina termelétrica movida a etanol em operação real. O motor utilizado no projeto foi produzido na Finlândia e adaptado para operar quase exclusivamente com etanol brasileiro.
Em entrevista exclusiva ao Movimento Econômico, José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia, disse que o projeto surge da necessidade de alinhar geração térmica e transição energética. A percepção dentro do setor é que, à medida que cresce a participação das renováveis intermitentes, aumenta também a necessidade de fontes despacháveis capazes de estabilizar o sistema elétrico nacional.
Faustino considera que o etanol possui uma vantagem competitiva importante em relação a outras apostas da transição energética, como o hidrogênio verde: já existe cadeia produtiva consolidada, logística pronta e ampla disponibilidade no Brasil. A proposta da empresa é justamente consolidar o conceito de “térmica renovável”.
O desafio tecnológico também não foi pequeno. Adriano Marcolino, gerente geral de Contratos & Upgrades da Wärtsilä, explica que os testes vão avaliar desgaste, desempenho, consumo e confiabilidade operacional da máquina. A adaptação de uma plataforma consolidada de geração térmica para um combustível ainda pouco utilizado nesse tipo de aplicação é considerada inédita no setor.
A discussão ganha ainda mais relevância diante da expansão acelerada da inteligência artificial e dos data centers, atividades que exigem elevado consumo energético e fornecimento contínuo de energia. A própria equipe do projeto afirma já existir interesse de operações off-grid — sistemas que operam fora da rede elétrica convencional — em utilizar térmicas movidas a etanol como alternativa de respaldo energético sustentável.
No futuro, a substituição gradual das térmicas fósseis por térmicas renováveis poderá ajudar inclusive a reduzir o acionamento das bandeiras tarifárias mais caras. A avaliação dentro do setor é que, quanto maior a segurança energética do sistema, menor tende a ser o risco de acionamento da bandeira vermelha em períodos de escassez.
Análise Ceplan
A Ceplan celebra seus 30 anos nesta quinta-feira (28) com mais uma edição do Análise Ceplan, na Torre 5 do RioMar Trade Center, a partir das 14h. O evento, realizado em parceria com o portal Movimento Econômico, vai discutir como a abundância de energia renovável no Nordeste pode atrair indústrias, data centers e novos investimentos produtivos. O encontro também abordará os desafios para transformar essa vantagem competitiva em desenvolvimento econômico sustentável.
Nova fase
A Pizzaria Atlântico se prepara para inaugurar uma mega unidade no Shopping Tacaruna. Serão 500 m² de área, com salão para 250 pessoas e área kids. A nova unidade será a primeira em shopping center fora do modelo Express, marcando uma nova fase na expansão do grupo.
Santander no Nordeste
O Santander escolheu Fortaleza para instalar sua nova sede regional no Nordeste. O espaço, localizado no bairro da Aldeota, concentrará as operações da instituição financeira na região.
LaVentana
A Construtora Vertical, que figura entre as 100 maiores do Brasil no ranking da Intec, lança em Caruaru a LaVentana Empreendimentos, novo braço voltado à habitação econômica. A empresa pretende atuar nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida e prevê mais de 400 unidades habitacionais no Agreste pernambucano.

