Dom, 07 de Junho

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Coluna Movimento Econômico

Pernambuco testa primeira térmica a etanol do mundo em Suape

A iniciativa representa uma mudança importante no setor elétrico mundial

Térmica movida a etanol da Suape Energia Térmica movida a etanol da Suape Energia  - Foto: divulgação

Pernambuco será palco dos testes de uma engrenagem que faltava no cenário da descarbonização energética global. Um projeto inovador desenvolvido pela Suape Energia, em parceria com a multinacional finlandesa Wärtsilä, inicia nos próximos dias a fase operacional da primeira termelétrica do mundo movida a etanol.

A iniciativa representa uma mudança importante no setor elétrico mundial, já que apesar do avanço acelerado das fontes renováveis, como solar e eólica, o sistema energético ainda depende das termelétricas para garantir estabilidade no fornecimento de energia. São elas que entram em operação quando há oscilações das renováveis ou risco de déficit energético. O problema é que historicamente cumprem esse papel queimando combustíveis fósseis. O diferencial do projeto pernambucano é justamente substituir o óleo combustível por uma fonte renovável amplamente disponível no Brasil.

Instalado no Complexo Industrial Portuário de Suape, o projeto busca provar que é possível combinar segurança energética, redução de emissões e geração contínua utilizando etanol. A expectativa é que a tecnologia abra caminho para uma nova categoria de térmicas renováveis no país, com potencial de participação em futuros leilões de energia e aplicação em operações que exigem fornecimento ininterrupto, como data centers, mineração de dados, indústrias e estruturas críticas.

A planta piloto terá capacidade aproximada de 4 megawatts e deverá consumir cerca de seis milhões de litros de etanol ao longo de 4 mil horas de testes. O combustível poderá ser fornecido tanto pela Vibra Energia, com quem a Suape Energia mantém negociações avançadas, quanto por usinas do Nordeste interessadas em participar da iniciativa.

O projeto nasceu após executivos da Suape Energia visitarem a Finlândia, em 2024, para conhecer alternativas energéticas de baixo carbono. Durante discussões sobre motores movidos a metanol, amônia e outros combustíveis renováveis surgiu uma provocação simples: por que não utilizar etanol no Brasil, um dos maiores produtores mundiais do biocombustível? A ideia amadureceu rapidamente e acabou transformada numa planta experimental em Pernambuco.

Embora a Wärtsilä já tivesse realizado testes laboratoriais com combustíveis alternativos, nunca havia colocado uma usina termelétrica movida a etanol em operação real. O motor utilizado no projeto foi produzido na Finlândia e adaptado para operar quase exclusivamente com etanol brasileiro.

Em entrevista exclusiva ao Movimento Econômico, José Faustino Cândido, diretor técnico da Suape Energia, disse que o projeto surge da necessidade de alinhar geração térmica e transição energética. A percepção dentro do setor é que, à medida que cresce a participação das renováveis intermitentes, aumenta também a necessidade de fontes despacháveis capazes de estabilizar o sistema elétrico nacional.

Faustino considera que o etanol possui uma vantagem competitiva importante em relação a outras apostas da transição energética, como o hidrogênio verde: já existe cadeia produtiva consolidada, logística pronta e ampla disponibilidade no Brasil. A proposta da empresa é justamente consolidar o conceito de “térmica renovável”.

O desafio tecnológico também não foi pequeno. Adriano Marcolino, gerente geral de Contratos & Upgrades da Wärtsilä, explica que os testes vão avaliar desgaste, desempenho, consumo e confiabilidade operacional da máquina. A adaptação de uma plataforma consolidada de geração térmica para um combustível ainda pouco utilizado nesse tipo de aplicação é considerada inédita no setor.

A discussão ganha ainda mais relevância diante da expansão acelerada da inteligência artificial e dos data centers, atividades que exigem elevado consumo energético e fornecimento contínuo de energia. A própria equipe do projeto afirma já existir interesse de operações off-grid — sistemas que operam fora da rede elétrica convencional — em utilizar térmicas movidas a etanol como alternativa de respaldo energético sustentável.

No futuro, a substituição gradual das térmicas fósseis por térmicas renováveis poderá ajudar inclusive a reduzir o acionamento das bandeiras tarifárias mais caras. A avaliação dentro do setor é que, quanto maior a segurança energética do sistema, menor tende a ser o risco de acionamento da bandeira vermelha em períodos de escassez.

Análise Ceplan

A Ceplan celebra seus 30 anos nesta quinta-feira (28) com mais uma edição do Análise Ceplan, na Torre 5 do RioMar Trade Center, a partir das 14h. O evento, realizado em parceria com o portal Movimento Econômico, vai discutir como a abundância de energia renovável no Nordeste pode atrair indústrias, data centers e novos investimentos produtivos. O encontro também abordará os desafios para transformar essa vantagem competitiva em desenvolvimento econômico sustentável.
 

Nova fase

A Pizzaria Atlântico se prepara para inaugurar uma mega unidade no Shopping Tacaruna. Serão 500 m² de área, com salão para 250 pessoas e área kids. A nova unidade será a primeira em shopping center fora do modelo Express, marcando uma nova fase na expansão do grupo.

Santander no Nordeste

O Santander escolheu Fortaleza para instalar sua nova sede regional no Nordeste. O espaço, localizado no bairro da Aldeota, concentrará as operações da instituição financeira na região.

LaVentana

A Construtora Vertical, que figura entre as 100 maiores do Brasil no ranking da Intec, lança em Caruaru a LaVentana Empreendimentos, novo braço voltado à habitação econômica. A empresa pretende atuar nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida e prevê mais de 400 unidades habitacionais no Agreste pernambucano.

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