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Coluna Movimento Econômico

Quando a emenda compromete o investimento

Levantamento da Câmara mostra que 23 das 27 unidades da federação já adotam emendas impositivas, que em 2025 somaram R$ 11 bilhões nos orçamentos estaduais

Em Pernambuco, deputados aprovaram o escalonamento das emendas   Em Pernambuco, deputados aprovaram o escalonamento das emendas  - Foto: Foto: Lucas Patricio /Divulgação

Mais de R$ 3 bilhões dos orçamentos estaduais do Nordeste serão consumidos em 2026 por emendas parlamentares impositivas. Estudos recentes da Câmara dos Deputados e da Transparência Internacional Brasil mostram como esse mecanismo, concebido originalmente para ampliar a participação do Legislativo na destinação de recursos públicos, está provocando desequilíbrios na gestão fiscal dos estados nordestinos.

No âmbito nacional, o levantamento da Câmara mostra que 23 das 27 unidades da federação já adotam emendas impositivas, que em 2025 somaram R$ 11 bilhões nos orçamentos estaduais. Conforme matéria do jornalista Márcio Dider, publicada no portal Movimento Econômico, estados como Alagoas e Maranhão estão operando no teto permitido de 1,55% da Receita Corrente Líquida (RCL). Pernambuco segue abaixo da média, com 0,9%, mas caminha para atingir o teto em 2029.

Embora sejam vistas como instrumentos de democratização orçamentária, as emendas têm se tornado um ponto de pressão permanente sobre as finanças estaduais. A Transparência Internacional alerta que essas destinações são, muitas vezes, opacas, pulverizadas e de baixa rastreabilidade, o que compromete a eficácia da política pública. O resultado é uma redução nos investimentos discricionários, especialmente em infraestrutura, mobilidade e saneamento.

O caso do Ceará, que ainda não adota a execução obrigatória e opera com apenas 0,3% da RCL para emendas, contrasta com os demais e mostra que há caminhos alternativos de relacionamento entre Executivo e Legislativo. É essa capacidade de articulação que define o espaço para políticas públicas estruturantes.
Sem emendas impositivas, o Ceará destina R$ 76 milhões para os 46 deputados da Assembleia Legislativa. Para efeito de comparação, a Bahia, operando com 1,0% da RCL, destinará R$ 555 milhões, e Pernambuco, com 0,9%, R$ 394 milhões.

Com a progressiva rigidez orçamentária imposta pelas emendas, o planejamento de longo prazo dos estados corre o risco de ser sufocado. A independência do Legislativo tem um preço, e é cada vez mais alto para o contribuinte e para a qualidade dos serviços entregues à população.

Trem com gesso
A circulação experimental dos trens de carga da Transnordestina entre Piauí e Ceará começa a trazer efeitos concretos para o setor produtivo da região, especialmente no polo gesseiro de Pernambuco. Após dois testes bem-sucedidos com transporte de grãos, a concessionária se prepara para iniciar o escoamento de gipsita ainda este mês. O diretor comercial e de Terminais da TLSA, Alex Trevizan, confirmou ao Movimento Econômico que a primeira operação deve partir de Trindade, no Sertão do Araripe, com destino ao terminal de Iguatu, no Ceará. Segundo ele, no mês que vem, a carga pode ser de calcário e gesso agrícola, para diversificar um pouco mais para o granel sólido mineral.

Alvo de investigação
O data center do TikTok, em construção no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), no Ceará, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por fragilidades no licenciamento ambiental e pelo uso de geradores a diesel. Segundo laudo técnico do Centro Nacional de Perícia do MPF, o empreendimento pode ter impacto ambiental semelhante ao de uma usina termelétrica, o que exigiria um processo de licenciamento mais rigoroso. A planta é desenvolvida em parceria com a Omnia, e o MPF aponta que o modelo adotado foi inadequado ao porte do projeto.

PPPs movimentam Piauí
O Governo do Piauí divulga que os contratos firmados no modelo Parcerias Público-Privadas (PPPs) já somam R$ 1,1 bilhão em investimentos. Os projetos em operação e as iniciativas em fase de implantação e estruturação contemplam áreas como mobilidade urbana, turismo, meio ambiente, abastecimento, eventos e serviços públicos essenciais.

Coxinha bilionária
O Brasil consumiu mais de 760 milhões de coxinhas em 2025, movimentando cerca de R$ 11 bilhões, segundo levantamento do CREST/IFB. O salgado segue como um dos itens mais vendidos fora do lar e deve manter força em 2026, impulsionado pela chamada snack economy e pelo avanço de modelos de negócio compactos.

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